Principais pontos:
Prêmios baixos nos futuros e baixa probabilidade nas opções de compra indicam ceticismo do mercado, apesar do alívio recente no preço.
Petróleo elevado e política cautelosa do Fed continuam pressionando ativos de risco, enquanto derivativos de Bitcoin mostram falta de convicção.
O Bitcoin (BTC) subiu 4% em poucos minutos após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a intenção de reduzir temporariamente as tensões com o Irã e buscar negociações. Enquanto o petróleo caiu imediatamente 14%, para US$ 85 o barril (WTI), e o S&P 500 subiu 3%, os dados de derivativos de Bitcoin continuaram sinalizando ceticismo e falta de confiança no suporte dos US$ 68.000.

Os futuros de Bitcoin estavam sendo negociados com um prêmio anualizado de apenas 2% em relação ao mercado à vista, indicando baixa demanda por alavancagem compradora. Em condições neutras, esse indicador costuma variar entre 4% e 8%, como compensação pelo prazo de liquidação mais longo. Essa falta de convicção dos compradores tem sido o padrão no último mês, mesmo durante a recente alta até US$ 76.000.
Ganhos de curto prazo não compensam cinco meses de queda
Atualizações positivas de curto prazo sobre o conflito entre EUA, Israel e Irã dificilmente são suficientes para reverter o pessimismo acumulado após cinco meses de queda. Como as causas exatas do flash crash de 10 de outubro de 2025 e da posterior incapacidade do Bitcoin de acompanhar os mercados tradicionais ainda não foram totalmente esclarecidas, traders continuam tratando qualquer movimento com cautela.

Esse sell-off ocorreu junto com o aumento de tarifas comerciais dos EUA, incluindo uma tarifa de 100% sobre produtos chineses após restrições nas exportações de terras raras. No entanto, os US$ 19 bilhões em liquidações tiveram impacto ainda mais significativo, gerando perdas pesadas para market makers e traders alavancados.

Na exchange Deribit, a opção de compra (call) de Bitcoin a US$ 80.000 para 24 de abril estava sendo negociada a 0,017 BTC (US$ 1.207). Com 31 dias até o vencimento e volatilidade implícita de 48%, o mercado precifica apenas 20% de chance de o BTC atingir esse nível — uma expectativa baixa para um ativo historicamente mais otimista.

Stablecoins em dólar estavam sendo negociadas com um prêmio de 1,3% em relação ao yuan, indicando equilíbrio entre oferta e demanda. Em cenários de alta demanda, esse prêmio costuma superar 1,5%, enquanto vendas em pânico levam a desconto.
Fed mantém investidores presos à renda fixa
Os dados mostram alguma resiliência nos derivativos de Bitcoin, especialmente após o reteste da região de US$ 67.500. A queda de 21% no preço do ouro em apenas dez dias — considerada histórica — reforça que nenhum ativo está imune quando o mercado teme recessão e inflação, especialmente com o impacto do petróleo nos custos da economia.
A recuperação de 3% no S&P 500 na segunda-feira dificilmente fará investidores saírem da renda fixa, especialmente após o Federal Reserve indicar pouca disposição para continuar cortando juros. Taxas elevadas reduzem o incentivo ao consumo e aumentam o custo de capital para empresas.
Há uma dependência clara da duração do conflito geopolítico para os ativos de risco, incluindo o Bitcoin. Enquanto o petróleo não recuar para US$ 75 ou menos, a tendência é que os traders permaneçam cautelosos. Além disso, novos catalisadores podem ser necessários para reverter o sentimento, diante da persistente falta de convicção nos dados on-chain e de derivativos.
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