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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Não escute os pessimistas: Bitcoin perde força mas não vai cair para US$ 50 mil

Bitcoin perde força perto de US$ 77 mil, mas analistas enxergam mercado longe de um colapso

Não escute os pessimistas: Bitcoin perde força mas não vai cair para US$ 50 mil
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O preço do Bitcoin voltou a perder força nesta semana e chegou a operar abaixo de US$ 77 mil, ampliando uma sequência de quatro dias consecutivos de queda em meio à desaceleração do apetite comprador no mercado futuro, realização moderada de lucros e incertezas macroeconômicas envolvendo juros nos Estados Unidos.

Apesar da correção próxima de 6% no acumulado semanal, analistas apontam que os dados ainda não indicam um evento de desalavancagem agressiva ou uma reversão estrutural de tendência.

Segundo análise divulgada pelo analista Crazzyblockk, o fluxo líquido de takers em contratos futuros da Binance virou negativo após semanas de forte agressividade compradora.

De acordo com o levantamento, o fluxo acumulado de sete dias passou para cerca de US$ -0,74 bilhão, após ter superado US$ 3,2 bilhões durante a recente expansão do Bitcoin em direção à região dos US$ 80 mil. O indicador mede o comportamento de participantes que executam ordens a mercado e, portanto, revela o nível de agressividade dos compradores e vendedores.

“O mercado está deixando uma fase de expansão impulsiva para entrar em um ambiente mais equilibrado e reativo”, afirmou o analista. Segundo ele, a queda do fluxo comprador não significa necessariamente colapso da demanda, mas mostra redução da convicção altista de curto prazo.
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Estabilização e não queda generalizada

A leitura do mercado de derivativos ocorre em paralelo a sinais de estabilização observados nos dados on-chain. O pesquisador Rei Researcher destacou que cerca de 11 mil BTC foram recentemente transferidos para a Binance, movimento inicialmente interpretado por parte do mercado como possível preparação para vendas. No entanto, o volume ficou muito abaixo de eventos anteriores de liquidação mais intensa, como a onda de 24 mil BTC movimentada em fevereiro.

Segundo o pesquisador, a movimentação parece representar apenas vendas rotineiras realizadas por mineradores para custear despesas operacionais, incluindo energia elétrica, manutenção e infraestrutura.

“O mercado consegue absorver facilmente essa oferta”, afirmou. Para ele, o Bitcoin segue em uma fase saudável de acumulação após a forte eliminação de posições mais frágeis ocorrida entre fevereiro e abril.

Os dados de SOPR dos holders de longo prazo também reforçam essa interpretação. Entre fevereiro e abril de 2026, o indicador permaneceu abaixo de 1, sinalizando que muitos investidores venderam posições no prejuízo ou no ponto de equilíbrio durante a queda para a faixa dos US$ 60 mil. Agora, com a recuperação parcial do ativo para a região entre US$ 76 mil e US$ 80 mil, o indicador voltou para a faixa entre 1 e 1,7.

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Com isso, parte dos investidores de longo prazo começou a realizar lucros moderados, mas sem pressão distributiva comparável aos grandes topos de mercado observados em ciclos anteriores. “Os holders de longo prazo estão demonstrando comportamento mais estável”, avaliou Rei Researcher.

Hora de comprar ou vender?

Enquanto isso, outros indicadores continuam sugerindo fortalecimento estrutural da rede. O analista Mike Ermolaev, fundador da Outset PR, destacou que o pessimismo crescente entre investidores de varejo passou a funcionar como um possível sinal contrário para o mercado. Dados da plataforma Santiment mostram que comentários pessimistas sobre Bitcoin já superam publicações otimistas pela primeira vez desde abril.

Historicamente, movimentos de forte pessimismo no varejo costumam anteceder recuperações do mercado cripto.

“Quando pequenos investidores vendem em reação a uma correção moderada, as probabilidades de recuperação aumentam justamente porque o consenso se torna excessivamente negativo”, apontou a Santiment.

Além disso, o número de carteiras com pelo menos 100 BTC segue em expansão. Segundo os dados citados por Ermolaev, o total de endereços desse grupo cresceu mais de 11% em um ano, chegando a 20.229 carteiras. O comportamento sugere continuidade da acumulação por baleias, instituições e tesourarias corporativas mesmo durante períodos de maior volatilidade.

Outro sinal monitorado pelo mercado envolve a relação entre Bitcoin e ouro. A empresa de pesquisa Delphi Digital apontou que a relação BTC/ouro já recuperou cerca de 46% desde as mínimas de fevereiro e pode formar um cruzamento técnico considerado historicamente altista nas próximas semanas.

Apesar disso, o cenário macroeconômico segue pressionando ativos de risco. O mercado acompanha a primeira reunião do Federal Open Market Committee sob o comando do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, marcada para 16 e 17 de junho. Investidores também monitoram a trajetória da inflação nos Estados Unidos e os impactos das tensões envolvendo o Irã sobre petróleo e liquidez global.

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