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Walter Barros
Escrito por Walter Barros,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

BC cogitou antecipar exigências para exchanges de criptomoedas atuarem no Brasil, diz reportagem

IN BCB 701 detalha os requisitos formais e técnicos que as companhias precisam cumprir para atuarem de forma regularizada no país.

BC cogitou antecipar exigências para exchanges de criptomoedas atuarem no Brasil, diz reportagem
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Resumo da notícia:

  • BC cogitou antecipar IN 701, sobre certificação de empresas cripto no Brasil.

  • IN 704, detalhando o que empresas precisam fazer para pedir autorização, estipula prazo em 30 de outubro.

  • Tema ainda levanta dúvidas e BC diz que não vai criar “passo a passo” para empresas.

O Banco Central (BC) cogitou antecipar as exigências para exchanges e outras empresas de criptomoedas operarem no Brasil, segundo reportagem dessa semana do Valor.

O encurtamento do prazo, segundo a reportagem, abarcaria a Instrução Normativa BCB nº 701, que detalha os requisitos formais e técnicos que as companhias precisam cumprir para atuarem de forma regularizada no Brasil, em especial nos serviços de intermediação e custódia de criptomoedas. A norma faz parte de um pacote de regras editadas pelo BC entre o final do ano passado e o início deste ano, vigentes desde fevereiro.

No final de janeiro, no entanto, o BC editou  a IN 704, complementando as regras publicadas anteriormente nas resoluções 519, 520, 521, 693 e 701. Nesse caso, a norma detalhou como exchange, custodiantes e plataformas de ativos virtuais devem pedir autorização e manter governança para continuar operando no país, fixando o prazo em 30 de outubro.

Em entrevista, o chefe do Departamento de Regulamentação do Sistema Financeiro do BC, Gustavo dos Santos, disse que o tema foi discutido internamente, mas que não houve definição, deixando dúvidas se a autoridade reguladora poderia antecipar o prazo da IN 704, já que as outras normas se encontram em vigor. O que, segundo uma fonte ouvida pela reportagem, seria de difícil execução, pelo número reduzido de empresas aptas à prestação dos serviços dentro das exigências. O que inclui instituições financeiras mais estruturadas, que enfrentam dificuldades para obter a certificação.

Questionado sobre a falta de clareza das normas, Gustavo dos Santos disse que o BC espera trabalhar com mais segurança jurídica e que o custo administrativo é alto no caso da retirada de participantes já regulamentados. Por outro lado, ele acrescentou que a autoridade reguladora não pretende publicar um roteiro detalhado do que precisa ser feito pelas empresas postulantes a serviços de criptomoedas e reconheceu a carência de pessoal enfrentada pelo BC, frente à complexidade do mercado.

Caminhos para certificação

Na última quarta-feira (8), A Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Digitais (ABToken), o Veirano Advogados e a Certik realizaram o debate “Auditoria e certificação para prestadores de serviços de ativos virtuais no Brasil”. Na ocasião foram abordados os principais desafios de implementação e as melhores práticas para o cumprimento dos novos requisitos regulatórios para as Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs).

Durante sua apresentação, Jason Jiang, Diretor de Negócios da Certik, contou ter avaliado a Instrução Normativa 701, além de outras regulamentações do BC.

Eles fizeram um trabalho muito bom, e não deixaram passar nada. Está tudo ali, muito bem detalhado, elogiou.

Sobre a avaliação feita junto a instituições postulantes que buscam a certificação, ele explicou que “a primeira etapa é a mais importante, porque é a de análise de dados e documentação”.

Nós estruturamos documentos em todas as áreas da Instrução Normativa 701. Nesta etapa, nós avaliamos o acesso às políticas, procedimentos, contratos com fornecedores e documentos de arquitetura existentes, fazemos uma revisão de contrato com os terceiros e configuramos nosso portal corporativo, Skynet, para gerenciamento centralizado de evidências, acrescentou.

Jason Jiang disse ainda que, nos passos seguintes, é feita uma avaliação independente criteriosa, analisando item por item em relação aos requisitos do Banco Central para checar se a empresa atende à IN 701. Em caso de problemas, ele informou que o relatório indica o que deve ser feito e a empresa tem, então, a possibilidade de corrigir os gaps para depois realizar novas avaliações e verificar sua adequação. Somente após esta etapa, é feita a submissão da certificação.

Na avaliação de Regina Pedroso, Diretora da ABToken, embora pareça um processo simples e transparente, muitas empresas que já operam no mercado, ainda possuem dificuldade com a documentação e coleta de dados.

Esse é o desafio, essa é a urgência. Parece simples porque todos estão operando, faturando, mas estes dados não são detalhes para o Banco Central, que vai supervisionar tudo. Cuidar dos dados, da segurança da empresa de vocês é muito importante, as empresas são um mecanismo vivo e é preciso manter acesa a cultura da prevenção, ressaltou.

Regina disse ainda que estuda pedir mais tempo ao Banco Central para que as empresas possam se adequar.

Marcos Rocha, sócio do Veirano Advogados, reforçou a necessidade de que todos organizem seus dados o quanto antes.

A apresentação da Certik trouxe muita luz e dimensão sobre o nível de documentação e dados que serão exigidos. O tempo está correndo e quem for mais organizado vai sair na frente, pontuou.

Presente ao evento, Nilo Júnior, da CLA Brasil, que também oferece serviços de auditoria, consultoria tributária e digital, ressaltou a maturidade que o Banco Central está exigindo dos players do mercado.

Em um ano já conseguimos uma grande evolução nas empresas de cripto. Muitas deixaram de ser startups para se tornarem empresas consolidadas. A conversa com a Certik é importante porque nos mostra que o Banco Central não vai vir com ótica simplista, vão ser relatórios com muitas especificações técnicas por conta da maturidade que o BC quer no mercado brasileiro, concluiu.

Nesta quinta-feira (9), o tema seguirá em alta durante o debate “Ativos virtuais no Brasil: perspectivas sobre prevenção à lavagem de dinheiro e segurança cibernética sob a ótica regulatória", que também contará com a participação de Jason Jing, da Certik, e de Bruno Maia e Caio Moreira Fernandes, ambos do Banco Central. O encontro será às 14 horas, na sede do escritório Pinheiro Neto Advogados.

No caso do Drex, o BC revelou que o projeto do “real digital” está cheio de 'nós' e que não há prazo para lançamento da CBDC, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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