O Banco Central do Brasil voltou a adotar um tom cauteloso sobre o avanço do Drex e deixou claro que o projeto ainda enfrenta obstáculos relevantes.
Nesta semana, em sua participação no XII Seminário Anual de Política Monetária, o diretor Paulo Picchetti reconheceu que a moeda digital brasileira está longe de uma implementação definitiva.
Ele reforçou que o sistema ainda possui “vários nós” e, por isso, não existe qualquer prazo para o lançamento.
“A proposta do Drex é elminar intermediários, custos e burocracia. Está em estudo e é evolução natural do sistema, apontada como direção pela tokenização de ativos, mas ainda temos vários nós para resolver e não há um prazo definico para sua implementação”, disse.
Ao mesmo tempo, Picchetti contextualizou o cenário global das criptomoedas ao lembrar que o Bitcoin nasceu de um ambiente de desconfiança nas instituições financeiras tradicionais. Segundo ele, esse movimento ganhou força após a crise de 2008 e o Occupy Wall Street, criando uma base ideológica favorável à descentralização monetária.
No entanto, o diretor adotou um tom crítico ao avaliar a funcionalidade prática do ativo. Ele afirmou que o Bitcoin não conseguiu se consolidar como meio de pagamento amplo e destacou que ainda não é comum utilizá-lo em transações cotidianas, como comprar um café.
Essa avaliação reforça a visão institucional de que, apesar da relevância tecnológica, o ativo ainda não cumpre plenamente o papel de moeda.
Criptomoedas e stablecoins ampliam pressão regulatória
Enquanto o Drex avança lentamente, o mercado de criptomoedas segue em expansão, especialmente no segmento de stablecoins. Picchetti destacou que já existem cerca de 170 stablecoins no mundo, com um valor de mercado aproximado de US$ 300 bilhões.
Esse crescimento chama atenção das autoridades, principalmente pelo uso dessas moedas em transferências internacionais. No Brasil, segundo o diretor, stablecoins já são utilizadas para envio de recursos ao exterior fora dos canais tradicionais, o que levanta preocupações regulatórias.
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O Banco Central teme que esses ativos possam ser utilizados para práticas ilícitas, como lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo. Ao mesmo tempo, Picchetti reconheceu que existe uma tensão clara entre regulação e inovação. Regular demais pode limitar o acesso a novas tecnologias, enquanto regular de menos pode abrir brechas para riscos.
.A regulação envolve a gente ter um controle sobre isso, há preocupações com mau uso das stablecoins, como para lavagem de dinheiro, terrorismo, e tráfico de drogas", disse.

