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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Rede Open Capital Markets da Anbima será a base para tokenização no Brasil, defendem Bradesco, Itaú, BTG e Santander

Bancos como BTG, Bradesco, Itaú e Santander defendem infraestrutura comum para transformar o mercado de capitais com ativos digitais

Rede Open Capital Markets da Anbima será a base para tokenização no Brasil, defendem Bradesco, Itaú, BTG e Santander
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Nesta quarta-feira, 18, durante um painel sobre tokenização realizado no Merge São Paulo, representantes do BTG Pactual, Bradesco, Itaú e Santander afirmaram que a Rede Open Capital Markets, liderada pela Anbima, tende a se consolidar como a base da tokenização regulamentada no Brasil.

A rede foi lançada no início do ano e reúne bancos, corretoras e instituições financeiras em um ecossistema baseado em blockchain. O primeiro caso de uso já está em fase de testes e envolve debêntures tokenizadas, emitidas e geridas dentro da própria infraestrutura DLT.

Esses ativos passam a existir como tokens nativos, o que permite testar automação, rastreabilidade e identificação desde a origem. Ao mesmo tempo, o modelo busca validar todo o ciclo operacional dentro de um ambiente digital integrado.

A proposta, no entanto, vai além da digitalização. A iniciativa pretende criar uma infraestrutura comum para o mercado de capitais, conectando participantes e reduzindo fricções históricas do sistema financeiro.

Para André Portilho, Partner e Head de Digital Assets do BTG Pactual, o setor deixa para trás um período experimental e entra em uma etapa mais pragmática. Segundo ele, os últimos anos, especialmente com o Drex, serviram como base de aprendizado. Agora, o desafio é transformar esse conhecimento em infraestrutura funcional.

“O mundo inteiro está avançando nessa direção, e o Brasil precisa desenvolver sua própria infraestrutura para não depender de soluções externas”, afirmou.

Portilho também destacou que o país já construiu sistemas relevantes, como o SPB e o Pix, e que a nova rede nasce com vocação semelhante de integração. Além disso, ele ressaltou que a escolha das debêntures não foi aleatória. O instrumento combina volume relevante e estrutura simples, o que facilita a validação do modelo.

“Precisamos manter o foco em entregar algo funcional. Colocar no ar, testar, aprender e evoluir. O que muda não são as funções, mas a forma como executamos. A tecnologia permite operações 24/7, redução de custos e simplificação de processos”, explicou.

Bradesco vê rede como base para padrão global

Na visão de Courtnay Nery Guimarães, Head de Digital Assets do Bradesco, o mercado já começa a sair do campo teórico. Segundo ele, o aprendizado com o Drex abriu espaço para aplicações reais, incluindo operações com garantias colateralizadas e ativos com lastro.

“Saímos do conceito e começamos a entrar na prática”, afirmou.

Guimarães destacou ainda que a rede tem ambição maior. A proposta é consolidar a primeira grande infraestrutura de tokenização da América Latina, com potencial de expansão global. Ele também ressaltou ganhos de padronização e interoperabilidade. “Uma infraestrutura comum reduz complexidade e aumenta a eficiência operacional”, explicou.

Além disso, destacou a importância da governança. “Esse tipo de iniciativa exige coordenação entre players, e isso já representa um avanço relevante”, completou.

Itaú aponta desafio de governança e consenso

Guto Antunes, Head de Digital Assets do Itaú Unibanco, reforçou que o projeto depende diretamente do engajamento da indústria. Segundo ele, a Anbima tem desempenhado papel central ao abrir o projeto para participação ampla e estruturar grupos de trabalho.

“O modelo permite aprender com as dúvidas do mercado e ajustar o caminho conforme avançamos”, afirmou.

No entanto, Antunes foi direto ao apontar o principal obstáculo. “O maior desafio somos nós mesmos. Precisamos avançar coletivamente”, disse. Ele defendeu o conceito de “disagree and commit” como essencial para o progresso. Ou seja, discordar faz parte, mas não pode travar a execução.

Além disso, destacou que a rede terá papel relevante na regulação. “Vamos gerar insumos concretos para orientar adaptações regulatórias”, afirmou. Antunes também alertou para o risco de discussões excessivamente teóricas.

“Precisamos transformar o piloto em entregas reais e expandir para outras classes de ativos”, concluiu.

Santander reforça execução como principal gargalo

Vito Castanha, Head de Digital Assets do Santander Brasil, reforçou a visão de que o maior desafio não está na tecnologia.

“O gargalo está na nossa capacidade de avançar como indústria”, afirmou.

Assim como Antunes, ele destacou a importância de seguir adiante mesmo com divergências. “Não haverá consenso total, mas precisamos continuar evoluindo”, disse.

Castanha também destacou que a rede permitirá trazer mais materialidade para o debate regulatório, reduzindo a distância entre teoria e prática.

“Vamos gerar insumos concretos para orientar os ajustes necessários”, afirmou.

Ele ainda lembrou que os desafios atuais não são novos. Desde 2015, temas como governança e padronização já aparecem nas discussões sobre blockchain.

Por fim, reforçou a necessidade de escala. “Precisamos garantir que a iniciativa vá além das debêntures e alcance outras classes de ativos”, concluiu.
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