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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

5 formas que a regulação inteligente das cripto pode destravar US$ 1,5 trilhão na América Latina

Relatório da Bitfinex aponta que avanço regulatório, tokenização e integração de stablecoins podem transformar a região em um dos principais polos globais de finanças digitais

5 formas que a regulação inteligente das cripto pode destravar US$ 1,5 trilhão na América Latina
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Com o segundo trimestre de 2026 em andamento, o mercado de criptomoedas na América Latina pode desempenhar um papel central no futuro econômico da região. Entre 2022 e meados de 2025, o volume transacionado superou US$ 1,5 trilhão, com crescimento anual de 63%, consolidando-se como uma das regiões que mais avançam no mercado cripto no mundo.

Esse crescimento, no entanto, ainda acontece em meio a travas estruturais do sistema financeiro tradicional. Segundo o relatório Market Inclusion Report 2025, da Bitfinex Securities, essas limitações criam um cenário de “latência de liquidez”, em que o capital existe, mas enfrenta dificuldades para circular com eficiência.

Para a Bitfinex, plataforma de negociação de Bitcoin mais antiga do mundo, o caminho é uma regulação capaz de integrar o Bitcoin e as criptomoedas à infraestrutura financeira para acelerar a transformação da América Latina em um hub financeiro global. 

Confira cinco formas de como isso pode destravar esse potencial:

Transformar capital parado por meio da tokenização

O relatório aponta que PMEs da região ainda enfrentam custos elevados e longos períodos de espera para acessar os mercados tradicionais de capital. Com estruturas regulatórias voltadas para tokenização, governos podem ampliar o acesso a investimentos de baixo risco e maior alcance.

Ao reconhecer legalmente a propriedade fracionada em blockchain, um projeto de infraestrutura de US$ 10 milhões, por exemplo, poderia ser dividido em 10 mil tokens digitais. Isso reduziria os custos de emissão de mais de 10% para algo entre 2% e 4%, além de diminuir o tempo de listagem para cerca de 60 a 90 dias, segundo os primeiros benchmarks de tokenização.

Plataformas já desenvolvem a infraestrutura necessária para emissão e negociação de ativos digitais tokenizados, mostrando como maior clareza regulatória pode acelerar a expansão desse modelo na região.

Integrar stablecoins à infraestrutura de pagamentos

As stablecoins já funcionam como importantes meios de pagamento na América Latina, embora ainda estejam parcialmente fora das estruturas regulatórias formais. Em países como Argentina e Colômbia, elas são usadas há anos como proteção contra a inflação. No Brasil, mais de 90% dos fluxos de cripto já envolvem stablecoins, especialmente em pagamentos internacionais e remessas.

O Banco Central brasileiro já reagiu e iniciou discussões para enquadrar transações com stablecoins dentro das regras cambiais, sinalizando uma integração mais ampla ao sistema financeiro.

Uma regulamentação mais abrangente pode definir um status jurídico claro para stablecoins atreladas ao dólar como ferramenta de liquidação financeira. Integradas a sistemas nacionais de pagamento — como o Pix, no Brasil, ou o Bre-B, na Colômbia — elas podem viabilizar liquidações internacionais em tempo real, 24 horas por dia, fortalecendo operações de comércio exterior e tesouraria corporativa.

Construir confiança institucional com transparência

O mercado cripto latino-americano também passa por uma mudança no perfil dos investidores, com maior procura por ativos digitais considerados menos arriscados e produtos que geram rendimento.

Com a região se consolidando como um dos mercados de venture capital que mais crescem globalmente, combinar expansão do setor cripto com regulação reconhecida internacionalmente tende a atrair novos investidores institucionais e fortalecer os já presentes.

Países como Argentina, México e Chile já implementaram ou ampliaram regras de KYC, AML e licenciamento para exchanges, alinhando suas práticas a padrões globais. Mas há espaço para avançar ainda mais. A adoção obrigatória de mecanismos como prova de reservas e auditorias transparentes pode aumentar a confiança institucional e estimular uma transição gradual de operações puramente especulativas para investimentos de longo prazo.

Fortalecer as portas de entrada do mercado

As exchanges centralizadas continuam sendo o principal ponto de acesso ao universo cripto, o que faz delas uma prioridade regulatória.

Governos da região podem seguir modelos como a Lei dos Ativos Virtuais do Brasil, que estabelece o Banco Central como autoridade responsável pela supervisão do setor, incluindo exigências rígidas de KYC, AML e compartilhamento de dados pela chamada “Travel Rule”.

A padronização dessas estruturas torna a conversão entre moedas fiduciárias e criptoativos mais segura e eficiente para milhões de usuários em mercados como México, Argentina e Colômbia, que já utilizam plataformas locais como a Bitso e a Mercado Bitcoin.

Acelerar a inovação com alinhamentos regulatórios

Embora El Salvador tenha movimentado volumes mais modestos — cerca de US$ 3,5 bilhões — o país criou uma das primeiras estruturas nacionais abrangentes para ativos tokenizados com a Lei de Emissão de Ativos Digitais (LEAD).

A experiência pode servir de referência para outros países latino-americanos ampliarem o uso de sandboxes regulatórios: ambientes controlados em que empresas conseguem testar projetos de tokenização, títulos digitais e ativos do mundo real (RWA) sob supervisão dos reguladores.



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