Nesta segunda, 13, após tocar brevemente o nível de US$ 70 mil o preço do Bitcoin voltou a apresentar força e subiu, no fim da tarde de segunda no Brasil, mais de 3%, voltando a ser negociado acima de US$ 73 mil, levando os investidores a questionar se a alta é sustentável ou se veremos uma nova queda para US$ 66 mil como ocorreu no mês passado quando o BTC chegou a US$ 75 mil.
Três leituras distintas ajudam a entender o momento atual do mercado: uma visão otimista baseada no mercado à vista, outra focada na fragilidade das posições vendidas e uma terceira que aponta para um ciclo ainda incompleto.
O analista CryptoOnchain chama atenção para uma divergência relevante entre preço e derivativos. Enquanto o Bitcoin sobe, o interesse aberto (Open Interest) na Binance segue em queda.
De acordo com os dados, a média móvel de 30 dias do Open Interest caiu de US$ 1,9 bilhão para US$ 1,19 bilhão no mesmo período em que o preço avançou. Esse movimento, segundo ele, revela uma dinâmica importante.
“Essa divergência sugere que a recente alta do preço é impulsionada principalmente pela acumulação no mercado à vista, e não por alavancagem excessiva no mercado futuro”, afirma o analista.
Além disso, ele destaca um fenômeno relevante: o short covering. Nesse cenário, investidores vendidos são forçados a recomprar o ativo, gerando pressão adicional de compra.
“Uma queda no Open Interest durante uma alta costuma indicar fechamento de posições vendidas, o que acaba impulsionando ainda mais o preço”, explica.
De acordo com ele, isso pode ser interpretado como um sinal positivo para o mercado. Uma alta sustentada por menor alavancagem tende a ser mais estável e menos sujeita a liquidações em cascata.
Ainda assim, o analista faz um alerta. Para que a tendência de alta continue com força, será necessário o retorno de capital ao mercado de derivativos.
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“Para sustentar o movimento no longo prazo, precisamos ver o Open Interest voltar a subir e confirmar a força da tendência”, conclui.

Liquidações e escassez podem impulsionar novo movimento
Já o analista GugaOnChain observa o mercado por outro ângulo e destaca o papel das liquidações e da escassez de oferta no curto prazo.
Segundo ele, o mercado atual vive um momento de acumulação no OTC (over-the-counter), o que reduz a disponibilidade de Bitcoin nas exchanges.
Esse cenário, combinado com baixa volatilidade aparente, pode enganar investidores menos experientes.
“O mercado à vista é como a superfície de um iceberg. Parece calmo, mas os derivativos mostram a verdadeira intensidade do movimento”, afirma.
Ele ressalta que indicadores como as taxas de financiamento negativas — -0,009% em todas as exchanges e -0,007% na Binance — revelam um excesso de apostas na queda.
Esse posicionamento cria uma oportunidade para eventos de short squeeze, quando posições vendidas são liquidadas em massa.
Os dados confirmam esse comportamento recente. Em apenas 24 horas, foram liquidados US$ 5,25 milhões em posições vendidas, contra US$ 2,01 milhões em posições compradas.
“O resultado mostra claramente quem saiu prejudicado. O mercado puniu as apostas contra o Bitcoin”, destaca.
Na avaliação do analista, a combinação de oferta escassa e excesso de shorts cria um ambiente propício para novas altas.
“Com a oferta reduzida, qualquer movimento de alta aciona liquidações e alimenta um efeito dominó de compras”, explica.
Ainda assim, ele alerta que ignorar os sinais dos derivativos pode ser um erro estratégico.
“Olhar apenas para o preço neste momento é aceitar o risco de não ver o que está por baixo da superfície”, conclui.

Indicador aponta mercado ainda em fase de baixa
Por outro lado, o analista Zizcrypto apresenta uma visão mais cautelosa e baseada em indicadores de ciclo de mercado.
Segundo ele, o Bull-Bear Market Cycle Indicator da CryptoQuant ainda permanece abaixo de zero, indicando que o mercado segue em uma fase de baixa.
Esse indicador combina métricas como MVRV, NUPL e SOPR, refletindo o nível de lucratividade dos investidores e o momentum do mercado.
“O fato de o indicador estar abaixo de zero confirma que ainda estamos em um regime de baixa mais amplo”, explica.
No entanto, há um ponto importante que diferencia o momento atual de ciclos anteriores.
O indicador ainda não entrou na zona de “Extreme Bear”, que historicamente marca períodos de estresse máximo e grandes oportunidades de acumulação.
“Essa distinção é crucial. O mercado está em baixa, mas ainda não atingiu níveis extremos de capitulação”, afirma.
Na prática, isso sugere que o fundo definitivo do ciclo pode ainda não ter sido formado.
“Estamos em uma fase de baixa sem capitulação completa, o que indica que o fundo ainda não foi confirmado”, conclui.


