Cointelegraph
DOGE$0.07244 0.18%
TRX$0.3227 0.21%
LINK$8.23 1.50%
ZEC$538.99 1.03%
ADA$0.1655 2.97%
XRP$1.08 0.09%
ETH$1,837.16 1.56%
BTC$63,901.64 0.01%
XMR$330.41 1.55%
BNB$567.04 1.08%
XLM$0.1849 0.87%
SOL$74.91 0.51%
HYPE$59.60 2.60%
Escrito por Dilip Kumar PatairyaRedatorRevisado por Rahul NambiampurathEditor

Por que idosos perdem tanto dinheiro em golpes com ATMs de criptomoedas?

MagazinePublicado1 de jun. de 2026

Idosos perdem milhões em golpes com ATMs de criptomoedas que envolvem falsas ligações bancárias, golpes românticos e pessoas se passando por suporte técnico.

  1. Quando transações em ATMs de criptomoedas podem resultar em perdas irreversíveis

Fraudes com ATMs de criptomoedas raramente começam na própria máquina. O terminal geralmente é apenas a etapa final de um golpe muito mais longo.

O golpe normalmente começa com uma ligação telefônica, uma falsa notificação bancária, uma abordagem romântica, um alerta de software ou uma proposta financeira atraente. Quando a vítima chega ao ATM de criptomoedas, os golpistas muitas vezes já passaram semanas ou até meses construindo medo, urgência ou confiança emocional.

Autoridades federais e o Internet Crime Complaint Center (IC3) emitiram alertas informando que os golpes envolvendo ATMs de criptomoedas estão afetando cada vez mais os idosos. Em 2025, o IC3 registrou mais de 13.400 denúncias relacionadas a esses terminais, com perdas totais superiores a US$ 388 milhões. Mais da metade dessas perdas envolveu pessoas com 50 anos ou mais.

Quando o dinheiro é inserido na máquina, a parte mais importante do golpe já aconteceu. Esses esquemas são especialmente perigosos devido à manipulação psicológica que ocorre antes de qualquer transação.

  1. O que é fraude com ATM de criptomoedas?

Um ATM de criptomoedas, frequentemente chamado de terminal de moeda digital, é uma máquina que permite trocar dinheiro em espécie por ativos digitais.

Usuários legítimos podem utilizar esses terminais para comprar Bitcoin ou outros ativos digitais. No entanto, os golpistas estão recorrendo cada vez mais a eles para receber dinheiro, já que as transferências em blockchain geralmente são difíceis ou impossíveis de reverter após serem concluídas.

Um golpe típico costuma seguir esta sequência:

  • Um golpista entra em contato com a vítima.
  • A vítima é alertada sobre uma crise, vazamento de dados ou oportunidade lucrativa.
  • A vítima retira dinheiro de sua conta bancária.
  • O golpista fornece um código QR ou endereço de carteira.
  • A vítima deposita dinheiro em um ATM de criptomoedas.
  • A criptomoeda é transferida diretamente para o golpista.

Diferentemente das fraudes com cartão de crédito, não existe um processo simples de estorno depois que o ativo digital sai da carteira.

Você sabia? Ao contrário das transferências bancárias tradicionais, as transações de criptomoedas realizadas por meio de ATMs geralmente são difíceis de reverter. Depois que os fundos chegam à carteira do golpista, recuperar o dinheiro pode se tornar extremamente difícil, especialmente quando os ativos são rapidamente movimentados entre diversas carteiras ou exchanges.

  1. Por que os idosos são alvo frequente

Os golpistas costumam mirar os idosos porque eles podem ter acesso a aposentadorias, fundos de pensão, investimentos ou patrimônio imobiliário.

No entanto, o problema vai além dos recursos financeiros disponíveis.

Muitos golpes se baseiam em pressão emocional, falsas autoridades ou solidão. Pessoas mais velhas podem ter maior probabilidade de atender chamadas de números desconhecidos, responder a mensagens com aparência oficial ou permanecer em longas conversas com indivíduos que se passam por técnicos de suporte, funcionários de bancos ou representantes do governo.

Golpes românticos podem ser especialmente eficazes contra pessoas que enfrentam solidão ou perdas emocionais. Já os golpes de falso suporte técnico podem ter sucesso quando as vítimas têm pouca familiaridade com alertas de segurança digital, ferramentas de acesso remoto ou transações em blockchain.

Em 2025, os crimes cibernéticos aumentaram significativamente. O IC3 recebeu mais de 1 milhão de denúncias, acima das aproximadamente 859 mil registradas em 2024. As fraudes de investimento responderam por mais de US$ 8,6 bilhões em perdas. Entre todas as categorias de crimes cibernéticos, os idosos estiveram entre os grupos mais afetados. Vítimas com 60 anos ou mais relataram perdas totais de US$ 7,7 bilhões, em comparação com US$ 3,7 bilhões registrados pelo grupo de 50 a 59 anos e valores menores entre faixas etárias mais jovens.

Em todos os incidentes relatados, a perda média por vítima foi de US$ 20.699. No entanto, esse valor subiu para US$ 62.604 quando criptomoedas estavam envolvidas. As fraudes relacionadas a criptomoedas, sozinhas, responderam por mais de US$ 11 bilhões em perdas totais, representando um aumento de 22% em relação ao ano anterior.

  1. Falsas ligações de órgãos governamentais que levam vítimas a ATMs de criptomoedas

Um golpe com ATM de criptomoedas geralmente começa pelo medo. O objetivo é fazer a vítima entrar em pânico antes que consiga pensar com clareza.

A pessoa ao telefone finge ser do FBI, da Receita Federal dos Estados Unidos (IRS), da Administração da Seguridade Social, da Drug Enforcement Administration (DEA) ou das autoridades policiais locais. A vítima é informada de que sua identidade foi vinculada à lavagem de dinheiro, tráfico de drogas ou outro crime grave.

O golpista pode alegar que:

  • Seus dados de identificação foram expostos.
  • Suas contas financeiras estão sob investigação.
  • Seus bens estão em risco.
  • Uma ordem oficial será emitida em breve.

Em seguida, a vítima é orientada a “proteger” seu dinheiro transferindo-o para uma conta oficial segura por meio de um ATM de criptomoedas.

A pressão é intencional. As vítimas recebem instruções para não desligar a ligação, não entrar em contato com familiares e não conversar com funcionários do banco.

Órgãos governamentais legítimos nunca exigem transferências por meio de ATMs de criptomoedas. O FBI alerta explicitamente que as autoridades não instruem pessoas a transferir fundos por meio desses terminais para evitar prisão ou investigação.

Você sabia? Alguns golpistas permanecem ao telefone com as vítimas durante toda a transação no ATM de criptomoedas. Eles podem orientar o que dizer aos funcionários do banco, como escanear códigos QR e por que a transferência deve ser mantida em segredo dos familiares.

  1. Como golpes românticos terminam em pagamentos por ATMs de criptomoedas

Alguns golpes com ATMs de criptomoedas se desenvolvem lentamente. O golpista pode passar semanas ou meses construindo um relacionamento online por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens ou plataformas de namoro. Eventualmente, a conversa passa a envolver dinheiro.

O golpista pode alegar que:

  • Precisa de dinheiro para despesas de viagem ou outra emergência.
  • Uma oportunidade de investimento lucrativa exige ação rápida.
  • Ele ou alguém próximo está enfrentando uma falsa emergência ou crise médica.
  • As criptomoedas são uma forma rápida e conveniente de enviar dinheiro.

Em alguns casos, o relacionamento emocional serve como preparação para uma falsa proposta de investimento. A vítima pode receber imagens falsas de lucros em negociações e ser incentivada a enviar quantias cada vez maiores ao longo do tempo.

Com a confiança emocional já estabelecida, as vítimas podem ignorar sinais de alerta que normalmente levantariam suspeitas.

  1. Falsos alertas de suporte técnico e pagamentos por ATMs de criptomoedas

Outro ponto de entrada comum é o golpe de falso suporte técnico. A vítima pode se deparar com uma notificação alegando que:

  • Seu dispositivo está infectado por malware.
  • Sua conta financeira foi comprometida.
  • Seu dispositivo, software ou conta online foi invadido.
  • Um software malicioso está acessando dados sensíveis.

O golpista então se passa por um técnico da Microsoft, representante do suporte da Apple, fornecedor de software de segurança ou especialista em segurança bancária.

As vítimas são informadas de que precisam proteger seus ativos rapidamente antes que criminosos os roubem. A suposta solução exige sacar dinheiro e depositá-lo em um ATM de criptomoedas.

Análises de cibersegurança e alertas do FBI indicam que os fraudadores frequentemente orientam as vítimas em cada etapa da transação no terminal enquanto permanecem na ligação.

  1. Golpes de falsos funcionários de bancos que levam vítimas a sacar dinheiro

Golpistas podem se passar por funcionários de bancos ou investigadores de segurança. A vítima recebe uma ligação ou mensagem alegando que:

  • Transações incomuns foram detectadas em sua conta.
  • Uma transação não autorizada está em andamento.
  • Os dados do seu cartão ou conta foram comprometidos.
  • Invasores acessaram a rede do banco.

O golpista cria um clima de pânico e urgência para que a vítima aja sem verificar as informações de forma independente.

As vítimas podem ser orientadas a:

  • Sacar os fundos imediatamente.
  • Não comentar a transação com ninguém.
  • Manter o assunto totalmente em sigilo.
  • Transferir os fundos para uma conta de criptomoedas supostamente protegida.

Essa exigência de sigilo é um dos sinais de alerta mais claros de um golpe.

Você sabia? Golpes românticos estão cada vez mais ligados a fraudes com criptomoedas. Criminosos podem passar semanas construindo confiança emocional pela internet antes de apresentar uma falsa emergência, oportunidade de investimento ou pedido urgente de pagamento em criptomoedas envolvendo uma transação em ATM.

  1. Esquemas falsos de investimento que utilizam ATMs de criptomoedas

Fraudes de investimento continuam sendo um grande risco financeiro para os idosos. Os golpistas podem promover:

  • Retornos elevados garantidos.
  • Falsas oportunidades de investimento em criptomoedas.
  • Plataformas de negociação baseadas em inteligência artificial.
  • Estratégias de enriquecimento de baixo risco.

Inicialmente, as vítimas podem visualizar lucros fictícios em painéis ou aplicativos com aparência profissional. Motivadas pelos supostos ganhos, elas passam a enviar quantias cada vez maiores.

Posteriormente, quando tentam sacar o dinheiro, podem receber exigências para:

  • Pagar impostos antecipadamente.
  • Fazer um pagamento de confirmação.
  • Liberar o acesso por meio de uma transferência adicional.

Muitas dessas transações acabam passando por ATMs de criptomoedas, que funcionam como o canal de pagamento de um falso serviço de investimento.

  1. Como os ATMs de criptomoedas beneficiam os golpistas

Os ATMs de criptomoedas resolvem diversos problemas para os fraudadores, facilitando a movimentação rápida do dinheiro roubado.

Primeiro, as máquinas convertem dinheiro em espécie em ativos digitais quase instantaneamente.

Segundo, as transferências de ativos digitais podem ser movimentadas rapidamente entre carteiras, muitas vezes cruzando fronteiras internacionais em questão de minutos.

Terceiro, muitos idosos não entendem completamente como funcionam as transações com criptomoedas. Eles podem não perceber que escanear um código QR pode enviar fundos diretamente para outra carteira, com poucas possibilidades de recuperação.

Os golpistas também exploram o fato de que as transações com criptomoedas podem parecer menos arriscadas emocionalmente do que entregar dinheiro diretamente a um estranho. Nesses casos, a vítima vê apenas uma tela e um código QR, não o criminoso recebendo o dinheiro.

Cointelegraph publishes long-form journalism, analysis and narrative reporting produced by Cointelegraph’s in-house editorial team with subject-matter expertise. All articles are edited and reviewed by Cointelegraph editors in line with our editorial standards. Content published in here does not constitute financial, legal or investment advice. Readers should conduct their own research and consult qualified professionals where appropriate. Cointelegraph maintains full editorial independence.

Mais sobre o assunto