9h15
Gil Herrera, diretor de estratégias e operações da Bitget em LATAM
O mercado de cripto segue acompanhando com cautela a escalada geopolítica no Oriente Médio. Apesar do anúncio de um cessar-fogo entre EUA e Irã, o cenário ainda está longe de uma resolução clara. O acordo é visto como frágil, com relatos de violações por ambos os lados, enquanto a sinalização de manutenção da presença militar dos EUA no Golfo Pérsico reforça a percepção de que o risco geopolítico permanece elevado. Nesse contexto, a trajetória do petróleo também segue como variável-chave para o apetite a risco global.
Esse ambiente de incerteza ajuda a explicar o comportamento mais defensivo dos investidores institucionais. A saída de US$ 124,5 milhões dos ETFs spot de Bitcoin indica que, mesmo com algum alívio inicial em outros mercados, ainda não há convicção suficiente para aumentar exposição. Se esse movimento persistir, pode limitar o potencial de recuperação no curto prazo.
Do ponto de vista técnico, o Bitcoin começa a mostrar sinais de melhora no momentum, com RSI na região neutra e MACD positivo, sugerindo uma tentativa de retomada — ainda que insuficiente para reverter a tendência de baixa em prazos mais longos.
Ao mesmo tempo, há um fator tático relevante: existe um volume considerável de posições vendidas alavancadas concentradas na região dos US$ 72.000. Com o aumento das expectativas de cortes de juros pelo FED, esse posicionamento pode crescer ainda mais. Em um cenário de rompimento dessa faixa, o fechamento dessas posições (short squeeze) poderia acelerar o movimento de alta, levando o Bitcoin inicialmente para a região dos US$ 75.000 e, potencialmente, mais próximo dos US$ 80.000.
Ainda assim, esse cenário mais construtivo depende de uma melhora no pano de fundo macro. A evolução da guerra no Irã e o comportamento do petróleo continuam sendo fatores críticos que podem tanto destravar quanto limitar esse movimento.
9h
Marco Aurélio, CIO da Vault Capital
Na terça-feira, dia 7, chegou a notícia de um cessar-fogo, o petróleo corrigiu 15% e os ativos de risco dispararam. Parecia o movimento que o mercado esperava há semanas. Mas a euforia durou pouco.
O Irã ja tinha apresentado um plano de 10 pontos como contraproposta e, já no
dia seguinte, ficou claro que partes relevantes desse plano estavam sendo violadas na prática. Israel manteve ataques de grande escala no Líbano durante todo o período. O mercado não conseguiu sustentar a tendência do dia 7 porque o acordo que animou os mercados ainda não resolveu o ponto principal.
O que temos até agora é uma pausa intermediária, não uma resolução. O cessarfogo acalmou os ânimos e fez o mercado respirar, mas o veredito definitivo do conflito ainda não chegou. E é exatamente aí que mora o problema: ao mesmo tempo que aparenta estar tudo caminhando para um desfecho, pode dar tudo errado . Não tem como se planejar pelo lado geopolítico enquanto essa ambiguidade permanecer.
No comportamento de preço, o mais relevante foi a call wall. O mercado não conseguiu superar $72k e a call wall migrou de $80k diretamente para $72k, confirmando o que vínhamos sinalizando: a estrutura de derivativos foi afunilando o preço. Vale notar que essa migração aconteceu antes da última semana do mês, mais cedo do que o padrão histórico sugere.

Por isso precisamos de mais uma semana de confirmação para entender se $72k se sustenta ou se a call wall se desloca novamente.

Se $72k for rompido, o movimento natural é uma corrida para $73k-$74k para limpar a alavancagem acumulada acima, o que seria um movimento saudável. Mas se a fraqueza permanecer e os dealers continuarem defendendo $72k com força, o primeiro suporte relevante abaixo é $68k. A perda dessa região nos leva para a faixa de $66k-$64k.
Hoje sai o PCE, a medida de inflação preferida do Fed. As leituras anteriores já vinham sinalizando pressão persistente, e com o choque energético do conflito ainda não capturado nos dados recentes, a tendência é de uma leitura acima do esperado. Um número quente fecha ainda mais a janela para qualquer corte de juros. A semana também traz a ata do Fed na quarta e o CPI de março na sexta, montando um calendário macro carregado que vai interagir diretamente com qualquer novo desenvolvimento no Irã.
O mercado está num ponto de inflexão. A pausa geopolítica deu fôlego, mas não direção. O preço vai onde o macro e os derivativos mandarem, e os dois ainda apontam para cautela.
7h30
O preço do Bitcoin (BTC), na manhã desta quinta-feira, 09/04/2026, está cotado em R$ 364.045,39. Após a alta de quase 5% ontem, os touros tentam se manter acima de US$ 70 mil e o BTC recua pouco mais de 0,5%.

André Franco, CEO da Boost Research, afirma que os mercados globais voltaram a operar com cautela após novos sinais de fragilidade no cessar-fogo entre EUA e Irã, com riscos renovados de disrupção no fluxo de energia pelo Estreito de Hormuz.
O petróleo voltou a subir, refletindo preocupações com oferta global, enquanto os rendimentos dos títulos americanos permanecem elevados e o dólar se mantém estável como ativo de proteção. Bolsas asiáticas recuaram levemente e o sentimento global voltou para um tom mais defensivo, com investidores atentos à possibilidade de inflação persistente impulsionada pela energia.
Já o Bitcoin, cotado aproximadamente em US$ 71.000, apresenta expectativa de curto prazo neutra a levemente negativa.
Apesar do ambiente macro ainda adverso, com petróleo elevado e liquidez global restrita, o BTC mostra resiliência ao conseguir se manter acima da região dos US$70.000, após ter testado níveis mais baixos próximos de US$68k recentemente. Esse comportamento sugere presença de demanda estrutural, mesmo com fluxo macro pressionado. No curto prazo, a falta de reforço de catalisadores positivos limitam movimentos mais agressivos de alta. A faixa provável de oscilação no curto prazo é de US$ 69.500 a US$ 72.500, com leve viés negativo enquanto o mercado permanece sensível às manchetes geopolíticas.
Já Fábio Plein, diretor regional para as Américas da Coinbase, afimra que como a incerteza global contínua, o mercado está em modo de espera em relação aos próximos passos. As tensões estão impactando as cadeias de suprimentos, freando investimentos em geral e até afetando o custo de vida em alguns países.
De acordo com ele, para o segundo trimestre de 2026, há uma perspectiva neutra para o mercado de criptoativos devido à natureza instável e imprevisível do cenário geopolítico atual, que introduz riscos sistêmicos dos quais o mercado cripto não está imune, apesar de sua relativa resiliência nas últimas semanas.
Acreditamos que a ação de preço das criptomoedas no curto prazo depende mais das manchetes macroeconômicas do que de fatores específicos do setor. No entanto, vale notar que a turbulência persistente em várias classes de ativos desde o início do conflito atingiu o mercado de ações, crédito e commodities com muito mais força do que o setor cripto. O Bitcoin tem permanecido relativamente resiliente em comparação com outros ativos, incluindo ouro e prata, desde o início do conflito.", afirmou.
Bitcoin análise técnica
Mike Ermolaev, analista e fundador da Outset PR, analisa que atualmente a parcela da oferta de Bitcoin ainda em lucro é estimada em cerca de 59%, um nível próximo ao observado durante o último mercado de baixa.
Isso pode parecer contraintuitivo para alguns, mas o mercado precisa de investidores em lucro para sustentar um movimento positivo. Historicamente, a média gira em torno de 75% da oferta em lucro. Portanto, hoje estamos bem abaixo dos níveis considerados típicos.
Segundo ele, ao observar os dados, o nível de 50% aparece como um limite relevante.
Ainda não chegamos lá, mas historicamente os fundos de mercado de baixa tendem a ocorrer nessa região. Esse indicador ajuda a avaliar quando perdas ou lucros se tornam relevantes em todo o mercado.A estratégia é relativamente simples:— Acumular quando as perdas atingem níveis extremos, posicionando-se antes da maioria dos investidores.— Reduzir exposição quando os lucros se aproximam de 100%.O ambiente atual parece mais favorável à acumulação do que à venda neste momento.

Segundo o analista Petar Jaćimović, o comportamento recente do mercado mantém viés positivo, com potencial para testar a região de US$ 72.800 e até níveis próximos de US$ 73.580. “Tivemos um recuo até essa faixa, mas existe uma chance clara de continuação do movimento de alta no próximo período”, afirmou.
A estratégia sugerida considera uma operação de curto prazo, com ponto de proteção abaixo da região de US$ 69.920. Nesse cenário, a relação entre risco e retorno seria favorável, podendo alcançar até duas vezes o risco assumido caso o preço avance até a faixa de US$ 73.400.
“Se o mercado conseguir se manter acima desse nível, vemos uma boa relação risco-retorno para uma operação intraday”, explicou.
Apesar do viés construtivo, o analista destaca que o cenário depende da sustentação do suporte atual. Um movimento mais forte de venda pode alterar a estrutura e abrir espaço para novas quedas. “Esse nível é importante do ponto de vista estrutural. Não queremos ver um rompimento mais agressivo abaixo dele”, disse.
O comportamento do ativo nos próximos dias deve depender da capacidade de manutenção desse suporte, em um ambiente ainda sensível a fluxos de curto prazo e à dinâmica técnica do mercado.
Portanto, o preço do Bitcoin em 09 de abril de 2026 é de R$ 364.045,39. Neste valor, R$ 1.000 compram 0,0027 BTC e R$ 1 compram 0,0000027 BTC.
As criptomoedas que estão registrando as maiores altas no dia 09 de abril de 2026, são: DeXe (DEXE), Siren (SIREN) e Just (JST), Zcash (ZEC), Monad (MON) e Layer Zero (ZRO), com altas de 7%, 6% e 3% respectivamente.
As criptomoedas que estão registrando as maiores baixas no dia 09 de abril de 2026, são: Algorand (ALGO), edgeX (EDGE) e Layer Zero (ZRO), quedas de -10%, -9% e -7% respectivamente.
Este artigo não contém conselhos ou recomendações de investimento. Toda decisão de investimento e negociação envolve riscos, e os leitores devem realizar sua própria pesquisa antes de tomar uma decisão.

