Em busca de tentar driblar o colapso no qual se encontra o sistema de saúde em todo o Brasil devido a explosão de casos de coronavírus o Hospital Universitário Lauro Wanderley da Universidade Federal da Paraíba (HULW-UFPB) anunciou a adoção de um sistema em blockchain para realizar consultas online.

A plataforma chamada TelerRim usa telemedicina por meio de uma tecnologia desenvolvida pelo Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (Lavid/UFPB) dentro do projeto Video for Health (V4H), uma plataforma de videocolaboração para telessaúde que possibilita o registro dos atendimentos remotos de forma mais segura.

O projeto Video for Health é coordenado pelo professor Guido Lemos, do Centro de Informática (CI/UFPB). Ele atuou no desenvolvimento do middleware Ginga — adotado como padrão no Sistema Brasileiro de Televisão Digital e de vários outros países da América Latina e África.

Por meio do TelerRim, o paciente pode ser atendido via telefone celular ou computador. Inicialmente, entre 10% e 20% da agenda médica dos nefrologistas do Lauro Wanderley, hospital vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh/MEC) desde 2013, será dedicada a essa modalidade.

Posteriormente, esse percentual deve chegar a 50% das consultas. As chamadas de vídeo contam com certificação digital, gravação dos atendimentos e preservação dos conteúdos em uma rede criptografada.

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Além do vídeo do atendimento, essa plataforma traz a possibilidade de que sejam enviados exames, receitas e atestados.

Blockchain

O primeiro teste com a nova plataforma foi realizado com uma usuária de Patos, na Paraíba, que é assistida pela nefrologista Cristianne da Silva Alexandre.

A paciente Odésia Dantas Costa foi diagnosticada com síndrome nefrótica e é acompanhada pelo Hospital Universitário desde 2016. No início do tratamento, ela se deslocava ao HULW todos os meses. Depois, quando passou a tomar a medicação prescrita pela especialista, as consultas passaram a ser a cada dois meses.

Ao ser atendida de forma remota, por meio do V4H, a paciente contou que foi um grande benefício para ela porque a viagem para o hospital é muito cansativa, uma vez que são, aproximadamente, cinco horas na estrada. Sobretudo, nessa pandemia.

“Ter essa tecnologia ajudou bastante. Quando a médica me propôs o teleatendimento, eu achei uma proposta maravilhosa”, comentou Odésia Dantas Costa.

Conforme a médica Cristianne Alexandre, Odésia sempre teve dificuldade para se deslocar de Patos a capital João Pessoa (que fica a 300 Km da cidade sertaneja) para ser atendida no HULW.

“Esse serviço nasce com o objetivo de reduzir a distância entre o médico e o paciente. No nosso caso, o paciente portador de doença renal”, disse a nefrologista do HULW. Inicialmente, os pacientes que já fazem acompanhamento no Hospital Universitário vão poder marcar o seu retorno e serem atendidos por teleatendimento através da plataforma desenvolvida pelo Lavid.

TelerRim

O TelerRim é um piloto de um projeto maior que está sendo desenvolvido pela Gerência de Ensino e Pesquisa (GEP) do Hospital Universitário. A expectativa é que, de forma progressiva, a plataforma V4H contemple outras especialidades.

"Nosso objetivo é expandir o projeto para outras especialidades, trazendo inovação tecnológica e qualidade no atendimento. O maior sonho é levar o HULW além dos muros e, em parceria com a Ebserh, conectar nossa rede de hospitais, facilitando o acesso através de canais seguros e ágeis”, afirmou Eduardo Fonseca, gerente de Ensino e Pesquisa do HULW.

A plataforma desenvolvida pelo Lavid/UFPB inclui funcionalidades de gerenciamento de chamadas de vídeo, gestão e autenticação dos usuários, captura e processamento de áudio e vídeo, confidencialidade no tráfego dos dados, gravação segura (com criptografia), autenticação da mídia pelos participantes, registro na blockchain e preservação pelo tempo que for necessário para recuperação dos vídeos gravados.

Além das questões de segurança e preservação do vídeo, o sistema permite o envio de documentos oficiais, como receitas e atestados.

O projeto é apoiado pela RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) em parceria com pesquisadores do Lavid/UFPB, do Telessaúde São Paulo, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), da Universidade de São Paulo (USP), do Incor-SP e da startup Dynavideo.

Além do Hospital Universitário Lauro Wanderley, o projeto V4H está sendo testado no núcleo de Telessaúde SP da Unifesp, no Incor-USP, na Faculdade de Odontologia da USP, no Hospital Militar São Paulo, e na Secretaria Estadual de Saúde da Paraíba.

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