Uma pesquisa da pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou que os altos retornos do Bitcoin não são indícios de bolha financeira. A matéria é do Valor Investe.

A pesquisa compreendeu os movimentos dos mercados de criptomoedas nos últimos cinco anos, e concluiu que as sequências de retornos positivos das aplicações em Bitcoin e outras criptomoedas no período "não caracterizaram bolhas especulativas".

Resumindo, os autores descartam a narrativa de que qualquer ciclo de alta dos maiores mercados de criptomoedas tenham se baseado em uma bolha:

“A existência de bolhas especulativas no Bitcoin já havia sido testada, e rejeitada, pela literatura. Confirmamos isso e estabelecemos conexão entre bolhas e sequências de altas nas cotações, e concluímos que, via de regra, a soma dos ganhos seguidos foi maior do que a totalização das perdas consecutivas”

O levantamento foi publicado em julho deste ano e ganhou uma atualização em agosto, provando também que a soma dos lucros consecutivos foi superior à soma dos prejuízos posteriores.

Segundo os pesquisadores, os modelos de estatística que são usados no mercado financeiro tradicional também se aplicam à análise dos principais criptomercados:

“Embora para as criptomoedas as caudas da distribuição condicional sejam mais pesadas do que aquelas encontradas para ações e taxas de câmbio, esses ativos apresentam os mesmos fatos estilizados, incluindo memória longa e persistência alta”

O estudo, assinado pelos professores Beatriz Vaz de Melo Mendes e André Fluminense Carneiro, destaca:

“As trajetórias de preço das criptomoedas podem ser influenciadas por uma variedade de fatores, incluindo eventos econômicos e políticos, regulações de governos, especulação e ataques de hackers”

O estudo considerou a capitalização de mercado das maiores moedas para o acompanhamento, que reuniu reuniu dados de agosto de 2015 a junho de 2020. As moedas abordadas representavam 78% da capitalização do mercado.

Além disso, foi observado que o pico de volatilidade das criptomoedas geraram um panorama de risco muito maior do que das moedas fiduciárias. Beatriz Mendes comenta:

“Embora as magnitudes dos ‘drawdowns’ e ‘drawups’ fossem significativamente menores no bitcoin do que em outras criptomoedas, elas ainda eram cerca de 20 vezes maiores do que as do euro”

Finalmente, os pesquisadores ainda concluíram que a correlação entre criptomoedas cresceu nos últimos anos, chegando a 75%. Segundo os pesquisadores, a previsibilidade do BTC e do ETH, maiores moedas do mercado, "parece mais madura".

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