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Sam Bourgi
Escrito por Sam Bourgi,Redator
Robert Lakin
Revisado por Robert Lakin,Editor da Equipe

Stablecoins superam o Bitcoin nas compras de criptomoedas na América Latina, diz Bitso

Um relatório da Bitso mostra mudança no comportamento dos usuários, à medida que stablecoins atreladas ao dólar ganham força para uso financeiro no dia a dia nas economias da América Latina afetadas pela inflação.

Stablecoins superam o Bitcoin nas compras de criptomoedas na América Latina, diz Bitso
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A adoção de ativos digitais na América Latina está evoluindo, com mais usuários agora convertendo recursos em stablecoins do que em Bitcoin, uma mudança que reflete a crescente pressão das condições econômicas locais.

De acordo com o relatório de 2025 da Bitso sobre adoção de criptomoedas na América Latina, 40% das compras de criptomoedas em 2025 foram stablecoins atreladas ao dólar americano, como o USDt da Tether (USDT) e o USDC da Circle (USDC), enquanto o Bitcoin (BTC) representou 18%. O relatório marca a primeira vez em que as compras de stablecoins superam as de Bitcoin na região.

As conclusões são baseadas em dados de quase 10 milhões de usuários de varejo da Bitso em sua plataforma de exchange.

A tendência reflete um movimento mais amplo em direção ao que a exchange latino-americana descreveu como “dolarização digital”. Em países que enfrentam inflação persistente, desvalorização da moeda e acesso limitado ao sistema bancário tradicional, as stablecoins oferecem uma forma relativamente acessível de armazenar valor e realizar transações em equivalentes ao dólar americano.

Embora o próprio dólar americano não esteja imune à inflação, ele tende a se desvalorizar mais lentamente do que muitas moedas locais e continua sendo o principal meio de troca global, o que o torna uma referência atrativa para usuários que buscam estabilidade.

Os ativos mais comprados em 2025 na América Latina. Fonte: Bitso

O mercado global de stablecoins cresceu para cerca de US$ 320 bilhões, com a adoção se expandindo tanto em economias desenvolvidas quanto emergentes. Na América Latina, sua utilidade é particularmente prática: usuários recorrem às stablecoins para preservar poupança, realizar pagamentos e enviar remessas internacionais.

O uso de stablecoins desenvolvidas localmente também está ganhando espaço. A gigante do varejo brasileira Mercado Livre lançou no início de abril um produto de remessas internacionais utilizando a stablecoin Meli Dollar para usuários no Brasil, México e Chile, informou o Cointelegraph Brasil. Isso ocorreu após a empresa interromper a emissão de sua própria stablecoin, Mercado Coin, no início deste ano.

Bitcoin segue dominante como reserva de valor

Embora as compras de Bitcoin tenham diminuído como proporção da atividade total, o relatório da Bitso mostra que o ativo ainda desempenha um papel central como veículo de poupança de longo prazo na América Latina.

“O Bitcoin continua funcionando como a principal reserva digital de valor de longo prazo na América Latina”, afirmou o relatório, destacando que a criptomoeda está presente em 52% dos portfólios cripto da região em 2025. Esse número caiu apenas ligeiramente em relação aos 53% do ano anterior.

O Bitcoin é visto há muito tempo como uma reserva de valor, apesar de períodos de volatilidade e desempenho irregular em comparação com ciclos de mercado anteriores. O ativo chegou a ultrapassar US$ 126.000 em outubro antes de recuar acentuadamente, com os preços posteriormente sendo negociados na faixa dos US$ 60.000.

Pesquisas recentes da empresa de índices MarketVector reformulam a narrativa de reserva de valor além do desempenho de preço, argumentando que o Bitcoin e o ouro compartilham características fundamentais, como escassez, descentralização e resistência à expansão da oferta, que sustentam seu valor no longo prazo.

Comparação do desempenho de preço, volatilidade e quedas do Bitcoin desde sua criação. Fonte: MarketVector Indexes

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