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Escrito por Caio Jobimstaff writerRevisado por Lucas Caramstaff editor

EUA contra o Pix: Sistema é inclusivo e beneficia até o Google, alega defesa do governo brasileiro

Últimas NotíciasPublicadoAug 19, 2025

Governo brasileiro encaminhou sua defesa ao Escritório do Representante do Comércio dos EUA no âmbito da investigação contra práticas comerciais abusivas em múltiplas frentes, incluindo o setor de comércio e pagamentos digitais.

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Na defesa apresentada ao Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR) no âmbito da investigação comercial contra práticas comerciais abusivas, o governo brasileiro afirmou que o Pix é um serviço que promove a inclusão financeira, estimula a economia e beneficia empresas estrangeiras que operam em conformidade com as leis locais.

“Ao incorporar milhões de usuários no mercado de pagamentos digitais — uma conquista de inclusão financeira que tem sido amplamente reconhecida internacionalmente, inclusive por empresas privadas dos EUA — o Pix potencializou o mercado brasileiro para todos os provedores, incluindo empresas sediadas nos Estados Unidos,” afirma o documento assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

O USTR abriu uma ampla investigação contra o Brasil alegando, entre outras coisas, que o país discrimina serviços de pagamentos operados por empresas americanas, como o WhatsApp Pay, da Meta.

A seção 301 da Lei de Comércio autoriza o governo dos EUA a adotar medidas de retaliação econômica contra qualquer país estrangeiro que adote práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais americanos.

Citando especificamente o Google, cuja carteira digital Google Pay está integrada ao Pix, o documento aponta que, ao expandir o acesso à economia brasileira, o sistema de pagamentos brasileiro também beneficia empresas americanas:

“A empresa de tecnologia norte-americana Google —por meio do Google Pay— tornou-se a maior iniciadora de pagamentos no sistema do Pix, oferecendo transações Pix sem contato. A participação como iniciador de pagamento permanece aberta a todas as empresas qualificadas, independentemente da origem do capital.”

Segundo o documento, o Google Play processou 1,5 milhão de transações via Pix somente no mês de julho.

Empresas como o Uber e o próprio WhatsApp, citado no processo movido pelo USTR, utilizam a opção de pagamento via Pix por QR Code, embora não estejam registradas como iniciadoras ou instituições de pagamento junto ao Banco Central (BC).

Pix não promove concorrência desleal

O governo brasileiro refuta a acusação de que o Pix configura uma prática de concorrência desleal por ser um sistema gratuito e gerido pelo Estado. O documento afirma que não há vedação para que carteiras digitais ou prestadores de serviços de pagamento digital como Venmo e Zelle operem no Brasil integrados ao sistema do BC.

Além dos serviços de pagamento digital, a investigação do USTR também aborda práticas supostamente prejudiciais aos Estados Unidos no âmbito de comércio digital e proteção de propriedade intelectual; aplicação de tarifas "injustas e preferenciais", incluindo o acesso ao mercado de etanol; fragilidade de leis anticorrupção e das ações de combate ao desmatamento ilegal.

Eventuais sanções decorrentes do processo do USTR podem causar danos irreparáveis à economia brasileira e são consideradas de difícil reversão. Segundo estimativas, os desdobramentos das investigações podem trazer prejuízos adicionais à economia brasileira, além das tarifas de 50% já aplicadas à exportação de alguns produtos brasileiros.

Desde o início da investigação, o governo brasileiro saiu em defesa do Pix e garantiu que o sistema não será interrompido ou modificado. De acordo com dados do BC, o Pix processou R$ 26,4 trilhões em transações em 2024 – o que representa um crescimento de 54% em relação a 2023, quando foram movimentados R$ 17,1 trilhões.

Conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil, o Pix gerou uma economia de R$ 106,7 bilhões à população desde que foi lançado pelo BC em 2020. Um estudo do Movimento Brasil Competitivo calculou quanto as taxas embutidas em outros meios de pagamento, como TED e cartões, teriam custado para cidadãos e empresas brasileiras.

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