Empresas de navegação que recorram a criptomoedas para pagar eventuais taxas de trânsito ao Irã podem enfrentar forte exposição a sanções, segundo Kaitlin Martin, analista sênior de inteligência da Chainalysis
Martin disse ao Cointelegraph que, sob o atual arcabouço de sanções, qualquer pagamento feito ao regime iraniano, inclusive os ligados à passagem por rotas marítimas estratégicas, pode ser interpretado como “apoio material”, colocando companhias em risco de violar restrições dos EUA e de outros países
“Fazer isso pode trazer risco significativo de violação de sanções, já que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica é sancionado por múltiplas jurisdições e o Irã está sujeito a sanções abrangentes dos Estados Unidos”, afirmou
O alerta surge em meio a relatos de que o Irã pode buscar cobrar taxas de trânsito em criptomoedas. Embora não haja confirmação oficial, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que não aceitaria qualquer tentativa de Teerã de impor pedágios à navegação pela via marítima estratégica
Irã amplia uso de cripto
Teerã já ampliou o uso de ativos digitais, especialmente stablecoins, para facilitar o comércio de petróleo, armas e commodities, com base em dados públicos, disse Martin
Ela observou, porém, que a criptomoeda não é uma saída infalível para driblar sanções. Embora permita transferências internacionais fora do sistema financeiro convencional, as transações em blockchain são inerentemente transparentes e deixam registro permanente
“Em muitos aspectos, a criptomoeda é até mais fácil de rastrear do que os métodos tradicionais de evasão de sanções”, disse ela, destacando a capacidade de investigadores seguirem os recursos até pontos de conversão em dinheiro, onde os ativos podem ser congelados ou apreendidos
Outros países sancionados também têm explorado caminhos semelhantes. A Rússia, por exemplo, usou tokens digitais como o A7A5 para facilitar o comércio transfronteiriço após as sanções impostas depois da invasão da Ucrânia em 2022
Hashrate de Bitcoin do Irã cai fortemente
Como informou o Cointelegraph, o poder de mineração de Bitcoin (BTC) do Irã caiu de forma significativa no último trimestre, com perda de cerca de 7 exahashes por segundo e recuo para aproximadamente 2 EH/s, em meio à escalada das tensões com os Estados Unidos e Israel
Apesar da turbulência regional, a rede global de Bitcoin segue estável, com o hashrate total próximo de 1.000 EH/s. Vale notar que o impacto ficou concentrado no Irã, sem efeitos relevantes sobre países vizinhos como Emirados Árabes Unidos e Omã

