Moradores em favelas são bancarizados, adeptos de tecnologia e tem poder de compra de R$ 119,8 bi

Brasileiros que residem em favelas no Brasil podem se tornar um do principais públicos para impulsionar a adoção do Bitcoin no país já que uma pesquisa revelou que eles possuem mais de R$ 119 bilhões de poder de compra e são ávidos por tecnologia, segundo dados da pesquisa “Economia das Favelas”, dos institutos Data Favela e Locomotiva e revelada pelo jornal Valor.

Os pesquisadores entrevistaram moradores de 465 comunidades de 116 cidades e revelaram que a imensa maioria dos moradores em favelas  no Brasil, 71% estão trabalhando (no mercado formal ou informal) e apenas 15% vivem com aposentadoria ou pensão.

Além disso, os dados revelaram que este público forma um grande mercado consumidor ávido por tecnologia e internet e altamente bancarizado. Segundo os dados revelados pela reportagem, seis em cada dez moradores de favelas declararam ter usado a internet para solicitar serviços de transporte e mais de 43% usaram o celular para consumir conteúdo pago em sites.

“As pessoas têm uma imagem errada das comunidades e se surpreendem quando entram na Rocinha. As pessoas têm de tudo aqui: televisão, carro, moto, casa de tijolo. São pessoas com renda, que trabalham na zona sul do Rio”, destacou a reportagem a moradora da Rocinha, Fabiana Rodrigues.

Os dados demonstram como os moradores dessas comunidades formam um público ávido por novas oportunidades e com forte marca de empreendedorismo, no qual o Bitcoin pode representar uma oportunidade de investimento e de construção de novos negócios já que, como revela a reportagem, grandes marcas e instituições enfrentam dificuldades para acessar este mercado consumidor,

"As favelas são repletas de pequenos negócios, como salões de beleza, lojas de roupa, calçados, brinquedos, mercadinhos, farmácias, restaurantes. Para as grandes marcas de varejo, no entanto, existem diferentes barreiras para acessar as comunidades. A mais lembrada delas é a falta de segurança, reflexo do convívio com o tráfico e as milícias", destaca a reportagem.

Ainda segundo o Valor, "esse público não se identifica com as grandes marcas", destacou o Presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles revelando que a pesquisa identificou que apenas 28% dos entrevistados consideram as empresas “muito honestas”, abrindo assim mais uma janela para a transparência da indústria cripto/blockchain.

Empreendedores focados em criar soluções em blockchain no Brasil estão de olho no poder de compra e de transformação social dos moradores de favelas e, como noticiou o Cointelegraph, a aceleradora de fintechs, Rede Celer, anunciou uma parceria com o Banco Maré para 'impulsionar' a adoção de uma criptomoeda social criada pela startup que se chama Palafita.

Quem também possui parceria com o Banco Maré é o consórcio de blockchain R3 que está fornecendo suporte para a instituição na criação de uma bolsa de valores para pessoas físicas e investidores institucionais comprarem ações de empresas de tecnologia de impacto social.

O empreendimento é batizada de [BVM]12 e tem por objetivo permitir que pessoas físicas e clientes de baixa renda possam investir em startups que podem geram dividendos futuros para seus investidores. Além disso, também cria um mercado de financiamento para estas empresas que, muitas vezes, encontram dificuldade de financiamento e listagem na B3, a Bolsa de Valores do Brasil.

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