Um funcionário da Prefeitura de Marília foi pego roubando energia da instituição para minerar criptomoedas.

Segundo denúncia analisada pela Corregedoria Geral do Município, o funcionário atuava como Programador no Departamento de Água e Esgoto de Marília – DAEM e usava energia de seu local de trabalho para minerar criptoativos em seus equipamentos.

O funcionário teria até mesmo usado um sistema de resfriamento portátil para não danificar seus equipamentos pessoais que eram usados na mineração de criptomoedas durante seu tempo de trabalho.

"O servidor L.M.G. estaria minerando criptomoedas na sala em que exerce suas funções no DAEM, de forma ininterrupta, inclusive durante o horário de expediente, utilizando-se da energia do DAEM para seus equipamentos particulares, que incluem placa de vídeo, computador e ar-condicionado portátil, que permanecia voltado para os demais aparelhos utilizados na “mineração” para resfriá-los.", destacou a denúncia que está sendo analisada pela Corregedoria.

Para melhorar o sistema de resfriamento particular para seus equipamentos, o servidor público chegou a abrir um burado na parede para instalar a tubulação do ar-condicionado portátil.

"Considerando que foi constatada a abertura de um buraco na parede que ficou posicionado atrás do bebedouro, ao lado da sala ocupada pelo referido servidor no prédio da Avenida Santo Antônio, n. 1.817. Constatou-se que na abertura foi ligada a tubulação do ar-condicionado portátil de propriedade do servidor. Não se sabe quem teria realizado tal abertura, quando ela foi realizada e se houve autorização para tal", afirma o processo.

Processo irá analisar conduta do servidor

Ao receber a denúncia a Prefeitura encaminhou servidores municipais, especializados em TI, para averiguar a sala do funcionário minerador. As diligências foram realizadas fora do horário de serviço e constataram que as máquinas de mineração continuavam ligadas minerando criptomoedas.

"Com a maior solidez das informações e conforme orientação do servidor municipal E.Y. (responsável pela segurança da informação da Prefeitura), técnicos adentraram na sala ocupada pelo servidor após o horário do expediente e fizeram a filmagem que segue no pen-drive anexo. As imagens mostram o computador e os equipamentos ligados, com os programas de “mineração” funcionando", afirma a denúncia.

Com as provas de que a mineração estava ocorrendo de forma indevida nas instalações da Prefeitura, o funcionário deve responder processo por enriquecimento ilícito e, caso seja comprovado o feito, pode perder o cargo público.

"Considerando que há fortes indícios, com provas fotográficas e documentais de que o servidor estava realizando mineração de criptomoedas durante o expediente, às custas do DAEM, utilizando energia da Autarquia e se enriquecendo ilicitamente (...) Art. 1º. Fica instaurado Processo Administrativo Disciplinar em face do servidor L.M.G., matrícula n º 010421, que ocupa a função de Programador no Departamento de Água e Esgoto", finaliza.

Casos de servidores públicos usando as estruturas das administrações para minerar criptomoedas são, de certa forma, comuns não só no Brasil.

Em um caso emblemático, o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) prendeu funcionários públicos que estavam usando a energia da usina nuclear de Yuzhoukrainsk para minerar criptoativos.

Ao roubar energia e usar as instalações da usina nuclear, os mineradores de criptomoedas comprometeram a segurança da instalação nuclear através da conexão de internet. Devido à conexão do equipamento com a Internet, os mineradores teriam vazado informações classificadas no sistema de proteção física da usina.

Em outro caso similar vários engenheiros do Centro Federal Nuclear da Rússia foram presos em 2018 por tentarem minerar Bitcoin (BTC)  com um supercomputador da instalação.

O computador teria a capacidade de realizar 1.000 trilhões de cálculos por segundo e é intencionalmente mantido desconectado da Internet por segurança.

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