Maconha, criptomoedas, sustentabilidade: prós e contras de fundos de investimento brasileiros apontados como tendência em 2020

O jornal O Globo destacou três fundos de investimentos brasileiros inovadores em uma matéria desta segunda-feira, 20 de janeiro. Os fundos de investimento em cannabis, criptomoedas e em empresas sustentáveis devem atrair investidores em 2020, apostando nos investidores que querem fugir da baixa remuneração da renda fixa.

O fundo de criptomoedas da Hashdex, listado na bolsa norte-americana Nasdaq, é destaque com 13 moedas digitais, entre elas o Bitcoin. O presidente da Hashdex, Marcelo Sampaio, diz que ela dá exposição ao mercado de criptomoedas, mas diminui os riscos da alta volatilidade, com um balanceamento trimestral dos fundos e recursos aplicados.

"O conceito é simples: em vez de aplicar em uma só moeda digital, o investidor pode comprar cotas de fundos que aplicam no índice, que é uma cesta de criptomoedas."

Outro fundo da Hashdex, o Discovery, é voltado ao investidor de varejo, com 20% dos recursos aplicados no índice HDAI e 80% em fundos de renda fixa. O aporte inicial é de R$ 500. Já para investidores com R$ 1 milhão em aplicações, há uma opção com maior risco, de 40% no índice e 40% na renda fixa, com entrada de R$ 10 mil. Somente os investidores profissionais podem investir 100% no índice.

Já a gestora Vítreo investe no mercado da cannabis medicinal, um mercado já regulamentado em diversos países da América e da Europa. As ações do fundo são listadas nas bolsas de valores dos EUA e do Canadá.

Em dezembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou a regularização de produtos medicinais à base de maconha, mas sem autorização para o plantio.

O sócio-fundador da empresa, George Wachsmann, diz que a empresa não faz apologia ao uso e não investe em empresas que produzem maconha para fins recreativos. Mas destaca o crescimento do mercado e a alta volatilidade:

"Não queremos fazer apologia do uso da cannabis e não investimos em ações de empresas com esse foco. Escolhemos as que fazem uso medicinal do produto. Trata-se de um mercado de alto crescimento, mas de risco elevado, por ser uma indústria nova. É um fundo com volatilidade maior do que o Ibovespa."

O fundo Canabidiol Light, para o investidor do varejo, tem aporte de R$ 1.000 e taxa de administração de 0,05%, com 20% das ações de empresas do setor de cannabis, o limite permitido por lei, e 80% em fundos de renda fixa atrelados a títulos públicos.

Outra tendência para o mercado de investimentos mobiliários do Braisl, segundo o texto, é o setor de sustentabilidade. A Warren gere um fundo com empresas de boas práticas sociais, o Warren Green. A carteira evita empresas que atuam no comércio de armas, carne ou envolvidas em crimes de corrupção.

70% das empresas do fundo são brasileiras, com destaque para a Klabin, a Natura e a WEG. Vale e Petrobras, pelo histórico de desastres ambientais, são descartadas pelo fundo. 20% restantes são formados por ações e ETFs, entre elas ações da Tesla e da Beyond Meat, e 10% de certificados de ações de empresas brasileiras emitidas no exterior.

Thomaz Fortes, da Warren, diz que o investimento é "alinhado a valores como ética, que aplica em empresas com responsabilidade social, com critérios como governança corporativa, sustentabilidade empresarial e baixa emissão de carbono. Há uma geração mais preocupada com esses conceitos", completa.

O professor de finanças do Insper, Michael Viriato, destaca no texto que é preciso ter atenção para conhecer o tipo de investimento e acompanhar os movimentos de mercado:

"As criptomoedas não têm lastro em nenhum ativo, como ouro. Trata-se de um ativo com valor atribuído, usado para transações. Portanto, mesmo num índice, o risco é elevado, e muitos investidores não têm este perfil".

A recomendação é consultar especialistas e verificar as perspectivas de cada setor. No mercado da maconha, lembra o especialista, muitas das empresas já valorizaram bastante, por exemplo. Por isso, é bom estudar os mercados antes de investir, conclui a matéria.