Possivelmente blindados contra a inflação, que se mostra ainda mais galopante na ampla maioria dos países da América Latina, os trabalhadores remotos da região preferem as criptomoedas como forma de pagamento de seus salários. Foi o que revelou um levantamento divulgado esta semana Deel, que presta serviços de contratação e pagamentos de mão de obra a empresas em mais de 150 países.

De acordo com a pesquisa, realizada junto a mais de 100 mil trabalhadores contratados pela Deel, houve um crescimento de 2% para 5% entre todos os pagamentos de trabalhadores remotos por meio de criptomoedas entre os seis últimos meses de 2021 e os seis primeiros de 2022, sendo que mais de dois terços foram efetuados a profissionais da América Latina. 

Apesar de os fatores macroeconômicos terem imposto um inverno cripto, com a liquidação de aproximadamente US$ 2 trilhões do mercado de criptomoedas entre o início de dezembro e os primeiros meses deste ano, o medo decorrente da instabilidade econômica em países como a Argentina, Venezuela e, inclusive, o Brasil, mantém a alta da popularização das criptomoedas na América Latina.

Massacrada por uma inflação média anual que supera os 60%, a Argentina, não por acaso, detém uma proporção maior que a média quando o assunto é o pagamento de trabalhadores remotos uma vez que a modalidade é uma forma de os profissionais conseguirem contornar as ferramentas governamentais de controle de câmbio, além de se protegerem da inflação galopante.

Dois terços dos argentinos que investem em criptomoedas afirmam que a negociação em criptos é uma forma encontrada por eles para se protegerem da inflação, de acordo com um estudo da Wunderman Thompson, de Buenos Aires, cidade em que Jerónimo, o "Profeta do Bitcoin", percorre as ruas apresentando as criptomoedas como alternativa para fragilidade da economia.

Segundo a Deel, que concentra suas atividades em trabalhadores jovens de tecnologia e finanças, sendo dois terços deles com menos de 35 anos, um quarto dos pagamentos  vieram da Europa, África e Oriente Médio, sendo o Bitcoin (BTC) responsável pelo pagamento de pouco menos da metade dos salários em criptomoedas entre seus funcionários em todo o mundo. O que representou uma queda da dominância do BTC nos pagamentos, uma vez que a criptomoeda representava dois terços das remunerações no segundo semestre de 2021.

Outro dado revelado pela pesquisa mostrou que os trabalhadores remotos italianos tiveram o maior aumento salarial médio, 175%, seguidos por Brasil, Índia e Nigéria. Em relação às principais cidades em quantidade de trabalhadores contratados remotamente, as primeiras colocações foram ocupadas por Londres, Toronto e Buenos Aires

As criptomoedas também estão no radar de mais de 30% dos millennials (aqueles com idade entre 26 e 42 anos) e metade da Geração Z (jovens de 25 anos ou menos), que gostariam de receber seus pagamentos em criptomoedas segundo revelou um estudo da  consultoria financeira DeVere, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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