Durante uma conversa com o Cointelegraph Brasil nesta semana durante o Merge São Paulo, Denis Cavale, Business Developer Manager da BlingX, revelou que a empresa intensificou sua estratégia para a América Latina e colocou a região no centro de seus planos de crescimento.
Nesse contexto, a BingX também anunciou um investimento significativo em tecnologia. A empresa destinou mais de US$ 300 milhões para o desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial.
A empresa trata o Brasil como parte de um ecossistema maior. “A gente fala que é uma BingX Latam”, afirmou Cavale durante entrevista. Ele destacou que a região se tornou prioridade dentro da estratégia global da companhia.
A companhia acredita que a tecnologia pode ajudar a resolver desafios históricos da região. Países como Brasil e Argentina enfrentam dificuldades econômicas e limitações no acesso a serviços financeiros.
Assim, ele revelou que a empresa aposta em ferramentas digitais para ampliar o acesso e melhorar a eficiência do sistema. A nova plataforma de IA foi apresentada como um dos pilares dessa estratégia. Segundo Cavale, a ideia é oferecer soluções práticas para usuários e empresas. “A gente acredita que a IA pode ajudar muito nisso”, disse.
Além disso, a empresa vê a tecnologia como um diferencial competitivo. O foco está em simplificar operações, reduzir custos e ampliar a adoção de ativos digitais.
Regulamentação
Apesar do avanço operacional, a BingX ainda analisa o cenário regulatório brasileiro. A empresa adota uma abordagem cautelosa e busca se adaptar conforme as regras evoluem.
Cavale explicou que a companhia segue um padrão global. Em todos os países onde atua, a exchange procura se adequar às exigências locais. Ele citou o Pix como exemplo de adaptação rápida ao mercado brasileiro. “Quando surgiu a necessidade, a gente implementou”, afirmou.
No entanto, no caso da regulação cripto, o cenário ainda é considerado incipiente. A empresa segue estudando os próximos passos antes de avançar com pedidos formais.
Outro ponto destacado foi o crescimento das stablecoins. Para Cavale, esse movimento já não tem volta e tende a integrar definitivamente o sistema financeiro tradicional.
Nos últimos anos, bancos passaram de concorrentes a potenciais parceiros do setor cripto. Essa mudança reflete uma convergência crescente entre os dois mundos.
“A cripto veio para ficar, é inevitável”, afirmou. Ele ressaltou que a velocidade e a eficiência das transações digitais impulsionam essa transformação.
Governos e instituições financeiras também aceleram iniciativas nesse sentido. O uso de moedas digitais está cada vez mais presente em soluções de pagamento e infraestrutura financeira.
Sobre o cenário atual do mercado, Cavale evitou classificações simplistas. Para ele, a dinâmica do setor continua imprevisível, mesmo com a entrada de investidores institucionais. A recente volatilidade mostrou que a presença de grandes players não elimina oscilações. Ainda assim, o executivo vê o momento como uma oportunidade.
Também no evento, comentando sobre privacidade e regulamentação, Vasily Shilov, CBDO da SwapSpace, disse que o desafio atual não é a conformidade em si, mas a forma de lidar com ela.
Quando alguém acessa uma plataforma para uma troca rápida e encontra um upload de documentos seguido de uma tela de espera, segurança não é o primeiro pensamento. Muitas vezes, a pessoa simplesmente desiste. Olhando para o futuro, queremos encontrar um equilíbrio, uma conformidade que melhore a experiência do usuário, em vez de atrapalhá-la. Isso significa adotar estratégias baseadas em risco e tecnologias que permitam verificar a identidade sem exigir a entrega de todos os dados pessoais.
Segundo ele, privacidade não é o mesmo que anonimato, já que é possível não expor seu passaporte e ainda assim permanecer dentro da lei.
As equipes mais bem-sucedidas em 2026 vão focar em toda a jornada do usuário, da cotação à execução, e não apenas no formulário de KYC. Os usuários não estão apenas comparando protocolos — eles fazem uma pergunta central: funcionou ou não?

