A Axia (antiga Eletrobras) anunciou um acordo exclusivo com a Radius Mining para iniciar uma operação de mineração de Bitcoin no Brasil com cerca de 6MWm que seriam desperdiçados pela empresa geradora de energia.
O projeto será executado por meio de uma POC e um contrato de O&M. O total de energia que será destinado para a operação seria suficiente para abastecer cerca de 24 mil casas por mês.
A iniciativa surge em um momento em que empresas do setor elétrico e de infraestrutura digital avaliam alternativas para aproveitar energia que hoje enfrenta limitações de escoamento no sistema brasileiro.
Segundo estimativas citadas pela Radius Mining, esse volume de energia não aproveitada poderia representar perdas bilionárias por ano. A companhia, fundada por Flávio Hernandez e focada em datacenters modulares para mineração de Bitcoin, também anunciou uma captação de R$ 28 milhões entre capital próprio e rodada seed para ampliar a operação.
Com a rodada de investimento, a Radius Mining passou a contar também com a participação de Leonardo Midea, executivo do setor elétrico e fundador da Prime Energy, empresa adquirida pela Shell em 2023. A proposta da companhia é utilizar a mineração de Bitcoin como alternativa para consumo de energia com baixa demanda no sistema, priorizando fontes renováveis.
Segundo dados apresentados pela empresa, a primeira operação própria deve operar com cerca de 1.064 equipamentos de mineração e consumo médio de 6 MWm. A estimativa é de um consumo acumulado de aproximadamente 315,4 GWh ao longo de seis anos, com custo total de energia próximo de R$ 65 milhões no período.
Mineração de Bitcoin no Brasil
A companhia pretende atuar em um segmento que busca aproveitar energia afetada pelo chamado curtailment, mecanismo que reduz temporariamente a geração elétrica por limitações de transmissão ou restrições operacionais do sistema. No Brasil, o avanço de projetos eólicos sem expansão proporcional da infraestrutura de transmissão elevou esse tipo de ocorrência, principalmente em estados do Nordeste, como Bahia e Rio Grande do Norte.
Dados apresentados pela Radius indicam que cerca de 87% da matriz elétrica brasileira vem de fontes renováveis e que parte das empresas do setor enfrenta perdas associadas ao excedente de geração não escoado.
Ao mesmo tempo, discussões sobre incentivos regulatórios e fiscais para datacenters ganharam espaço no país, movimento que pode ampliar investimentos em infraestrutura energética e operações de processamento computacional de alta demanda, como inteligência artificial e mineração de Bitcoin.
“O Brasil tem uma combinação rara de fatores: uma das matrizes mais limpas do mundo, custo competitivo de energia e, agora, a intenção de formar um cenário regulatório que incentiva o uso inteligente dessa abundância. A mineração institucional já se provou nos EUA como peça-chave para a infraestrutura de energia elétrica, agora chegou a hora do Brasil. A mineração de bitcoin é hoje a forma mais eficiente e com capex mais competitivo para se obter carga flexível que aproveite energia elétrica desperdiçada.”, afirma Flávio.
Segundo o empreendedor, a projeção é fechar o ano de 2026 com até 50 MW instalados.
“Se o Brasil decidir consumir todos os desperdícios de energia elétrica, seremos capazes de impactar o mercado global de mineração de Bitcoin.”, finaliza.

