Nos últimos dias aconteceu um sell-off intenso no Bitcoin, logo após a criptomoeda ter atingido a marca dos US$ 41 mil no final de semana, após um rali que se iniciou na semana passada. Desde ontem, 11 de janeiro, o Bitcoin já perdeu mais de US$ 5 mil em seu preço e no instante dessa redação, seu preço é de US$ 33.694 na Binance. 

Fonte: Binance

A resposta para esse movimento tão intenso é a economia americana. A queda do Bitcoin na segunda-feira coincidiu com a fraqueza recente na força das moedas estrangeiras, que apresentaram tendência de alta em relação ao dólar americano nos últimos meses. O índice do dólar americano saltou cerca de 0,7%, o que é uma grande mudança para um mercado que vale trilhões. 

Com isso, parte dinheiro dos grandes fundos que estavam migrando para o Bitcoin, pode ter permanecido e voltado para a economia tradicional. Há também a concorrência dos Equities que estão 510% mais valorizados que sua última alta em 2009, contra as commodities que estão levemente depreciadas em 20%.

 

Fonte: Investing.com

A recuperação do dólar americano ocorre apesar de Joe Biden, o novo presidente, pedir um estímulo adicional para o povo americano. Ele disse que quer trilhões de estímulos para a economia, junto com cheques de estímulo de US$ 2.000 para o povo.

Todo esse cenário está conjugado a operar contra o fluxo de capital institucional contra o Bitcoin.

 

A expectativa de inflação nos EUA

As expectativas de inflação dos EUA aumentaram nas últimas semanas, subindo para mais de 2%. Com os democratas no controle do Senado após a vitória na corrida pela Geórgia, os investidores estão antecipando mais estímulos, que, juntamente com a flexibilização monetária em curso pelo Federal Reserve (FED), devem levar a preços mais altos no futuro, conforme estudos do economista holandês, Jeroen Blokland, Head of Multi Asset da Robeco. As expectativas de inflação atuais, no entanto, permanecem abaixo da média de longo prazo, incluindo a taxa de inflação futura de 5 em 5 anos mostrada no gráfico abaixo. 

Fonte: FED de St.Louis

O Federal Reserve sinalizou que está disposto a permitir que a inflação supere até certo ponto. Portanto, na próxima reunião do Comitê de política monetária do FED (FOMC - na sigla em inglês) em 27 de janeiro, Jay Powell será solicitado a confirmar que a recente evolução da inflação não é razão para mudar de curso, ou seja, os EUA continuarão a imprimir dólar para financiar os programas sociais e manter a liquidez do sistema financeiro por mais algum tempo, certamente até a vacinação em massa surtir algum efeito sobre a economia. 

As pressões deflacionárias permanecem à medida que os bloqueios limitam a recuperação econômica. Essa é também a razão pela qual a economia nos EUA entrou em uma fase em que o forte crescimento do PIB e grandes quantidades de liquidez levam a um cenário de derretimento de ativos de risco, como é o caso do mercado de ações e em última análise do Bitcoin.

Fonte: Peter Brandt

Contudo, para analistas como Peter Brandt, o Bitcoin mesmo em momentânea queda, segue em sobrecompra e certamente seguirá em alta. Com o aumento das tensões geoeconômicas, a possibilidade do Bitcoin passar a ser usado intensivamente como meio de circulação de divisas está no horizonte.
 

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