O coronavírus mudou as economias globais de forma drástica, trazendo um cenário de caos nunca previsto e gerando um evento conhecido como ‘Cisne Negro’.

Além do COVID-19, como um elemento de distopia para todo o mercado internacional e consequente efeito sobre os preços dos ativos, também outro evento em curso, que já vem há alguns meses impactando todo o comércio e negócios: a guerra comercial entre China e EUA

Má vontade do governo chinês em relação às criptomoedas

O Bitcoin é um ativo dolarizado, sofre efeito direto de determinismo geográfico, ou seja não é possível minerá-lo em qualquer lugar e suas maiores plantas de mineração estão na China, país que permanece hostil ao mercado de criptomoedas.

Analistas levantam a possibilidade de eventuais sanções que afetem também as mineradoras no país. Diante de um cenário desses, como o Bitcoin que é 100% dependente da mineração para regular seu preço médio e para sustentar suas operações, irá reagir diante desse quadro de desligamento de grandes plantas de mineração? Ainda não sabemos, mas é um cenário que não se deve ser descartado.

O que está claro é que o Banco Central chinês pretende lançar sua própria moeda digital e isso não foi descartado e pode influenciar a trajetória do Bitcoin.

A correlação do Bitcoin ao dólar é outro cenário que se deve ser observado. Devido aos pacotes de ajuda que o governo americano irá implementar para salvar a economia americana, do efeito da desacelaração econômica causada pelo COVID-19, US$ 2 trilhões serão injetados na economia. Como isso impactará o Bitcoin?

Falando sobre o assunto Jerome Powell, presidente do Federal Reserve dos EUA, disse:

“Sabemos que o vírus seguirá seu curso e que a economia dos EUA retomará um nível normal de atividade. Enquanto isso, o Fed continuará a usar nossas ferramentas para apoiar o fluxo de crédito. ”

O efeito imediato às falas de Powell, foi o aumento dos índices das principais bolsas e ativos. O Bitcoin naturalmente, acompanhou a onda, valorizou-se 5% em média, desde o anúncio do Fed.

Imagem: Yahoo! Finance

De qualquer forma, ainda temos que ver como os mercados lidarão com a crise atual, já bastante comparável à de 2008.

Embora não possamos comparar o desempenho econômico com o Bitcoin, que só foi lançado em 2009, a comportamento do ativo virtual tem chamado atenção pelo lado positivo.

Porém, não é possível prever quais os efeitos das políticas econômicas de socorro com relação ao Bitcoin, embora dois fatores entrem agora em jogo: um fluxo de volume e interesse pelo Bitcoin, como mais um ativo para ser usado como hedge; e uma queda devido ao fluxo de capital rumando para os ativos tradicionais, por exemplo estoque de dólar e títulos públicos americanos.

No atual momento, é mais provável uma busca por mais Bitcoin, a julgar pelo seu desempenho em comparação com índices financeiros tradicionais.

Alguns entusiastas acreditam que os investidores em algum momento irão em direção ao Bitcoin, no caso de uma possível recessão global. Contudo, os EUA estão acostumados a se financiarem a dívida pública, há anos e essa não será a primeira crise do Fed.

Donald Trump

As eleições americanas em novembro jogam mais lenha na fogueira do FUD (Fear, Uncertainty and Doubt - Medo, Incerteza e Dúvida) que em algum momento, após o surto do COVID-19, voltará a influenciar o humor dos mercados.

O Fed reiniciou na segunda-feira, dia 23 de março, um grande programa de compra de títulos, com pelo o menos US$ 700 bilhões em títulos do tesouro (Treasuries) e US$ 200 bilhões em títulos lastreados por hipotecas. 

A eleição americana, com o presidente Donald Trump tentando a reeleições,  é mais um elemento de incerteza que se somará a todas as incertezas já em voga. O que está implicíto nesse cenário é que o fluxo de capital institucional rumará em direção aos ativos do Tesouro americano. Portanto, a premissa de que dinheiro institucional pode fluir para o Bitcoin, neste ano, não está garantida.

COVID-19

A COVID-19 pode servir de gatilho para uma recessão mundial e a partir dessa premissa espera-se que os investidores busquem refúgio para suas finanças. O Bitcoin pode servir de veículo para essa busca de refúgio, mas ainda precisa superar alguns obstáculos para convencer os investidores tradicionais.

Halving do Bitcoin

Outro evento que traz esperanças de valorização sustentada para Bitcoin é o halving, previsto para acontecer em maio.

Porém, as incertezas relacionadas a manutenção da atividade de mineração, por parte dos médios produtores e suas plantas de mineração, pode afetar seu impacto. Possivelmente veremos alguns saltos na mineração, seguidos de muita oscilação que pode acometer o mercado de mineração, imediatamente após o halving.