A exchange de criptomoedas Coinbase Global lançou uma estrutura de financiamento imobiliário com a Better Home & Finance que permite que tomadores qualificados usem ativos digitais mantidos em contas da Coinbase para financiar a entrada em financiamentos imobiliários padrão estruturados de acordo com as diretrizes da Fannie Mae.
Segundo a Coinbase, a estrutura permite que os tomadores usem ativos digitais como Bitcoin (BTC) ou USDC (USDC) como garantia para um empréstimo separado usado para financiar a entrada, enquanto o financiamento principal permanece um empréstimo padrão apoiado pela Fannie Mae. A Better será responsável por originar e administrar os financiamentos.
Quando implementada, a novidade pode marcar uma mudança na forma como ativos de criptomoedas são usados no financiamento imobiliário nos Estados Unidos, ampliando seu papel de ativos considerados na análise de crédito para um componente mais direto no financiamento.
A notícia segue sinais regulatórios anteriores de integração das criptomoedas aos modelos de financiamento imobiliário. Em junho, a Agência Federal de Financiamento Habitacional dos EUA orientou a Fannie Mae e a Freddie Mac a prepararem propostas para reconhecer criptomoedas como ativo nas avaliações de risco de crédito, sem exigir conversão para dólares.
Também se soma a uma série de desenvolvimentos que integram criptomoedas ao crédito imobiliário, com credores como Newrez e Rate passando recentemente a considerar holdings de cripto na análise de crédito, sinalizando um movimento mais amplo de incorporação das criptomoedas em toda a estrutura de financiamento.
O Cointelegraph entrou em contato com a Fannie Mae para mais informações, mas não recebeu resposta até a publicação.
Uso de criptomoedas como entrada traz riscos adicionais
Segundo a Coinbase, os tomadores contratariam um financiamento imobiliário padrão, enquanto utilizariam um empréstimo separado, garantido por criptomoedas, para cobrir a entrada.
A estrutura permite que compradores mantenham exposição aos ativos digitais, mas substitui o pagamento inicial em dinheiro por uma dívida adicional.
A Coinbase afirmou que o modelo impõe restrições relacionadas aos ativos dados em garantia, com os tomadores impedidos de negociar esses ativos enquanto estiverem bloqueados.
A empresa disse que a volatilidade do mercado, por si só, não aciona chamadas de margem, desde que os pagamentos continuem sendo feitos, e que os termos do financiamento permanecem inalterados após a contratação.
O modelo também introduz novos riscos relacionados aos ativos dados em garantia. Embora as oscilações de preço não afetem diretamente o financiamento, podem influenciar a exposição ao risco dos tomadores e suas decisões financeiras ao longo do tempo.
Credores avançam na integração de criptomoedas ao crédito imobiliário
A novidade segue iniciativas de diversos credores nos Estados Unidos que passaram recentemente a incorporar ativos digitais aos processos de financiamento imobiliário.
Em 17 de janeiro, a administradora de empréstimos Newrez afirmou que permitiria que tomadores utilizassem BTC, Ether (ETH), ETFs de criptomoedas e stablecoins como ativos elegíveis na análise de crédito, sem necessidade de liquidação.
Em 23 de fevereiro, a instituição Rate lançou o programa RateFi, que permite que holdings de criptomoedas verificadas sejam consideradas como reservas e, em alguns casos, como renda. Ainda assim, os tomadores precisam converter suas criptomoedas em dinheiro para pagar a entrada e os custos de fechamento.
Ex-congressista vê criptomoedas como ferramenta para habitação
Antes do lançamento, Turner Wright, do Cointelegraph, conversou com o ex-representante de Ohio Tim Ryan, membro do conselho consultivo da Coinbase, que tem atuado em temas ligados ao custo de vida da classe média, incluindo habitação.
Ryan destacou o financiamento imobiliário como um caso de uso prático das criptomoedas, afirmando que os ativos digitais podem destravar riqueza para investidores iniciais e ajudar a reduzir uma das maiores barreiras à compra da casa própria: a entrada.
“Ativos digitais têm espaço para trabalhadores… até mesmo na conquista da casa própria”, disse Ryan. “Ver o setor avançar para o mercado imobiliário é algo muito relevante.”
A acessibilidade continua sendo um grande desafio para compradores de imóveis nos Estados Unidos. Apesar da desaceleração da atividade, ligada à baixa oferta e às taxas de financiamento elevadas, o preço médio das casas ainda superava US$ 405 mil no quarto trimestre.

Uma entrada de 20%, geralmente exigida para evitar o seguro hipotecário privado, ainda custaria mais de US$ 80 mil, um obstáculo que pode se tornar menos desafiador para investidores em criptomoedas.
Reportagem adicional de Sam Bourgi e Turner Wright.

