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Escrito por Cassio GussonRedatorRevisado por Lucas CaramEditor

Empresa brasileira diz ter bloqueado ataque hacker de seis horas

Últimas NotíciasPublicado20 de jul. de 2026

Empresa afirma que bloqueou os invasores, mapeou os IPs usados no ataque e pretende enviar os registros às autoridades de São Paulo

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A Ether Exchange afirmou, em documentos enviados ao Cointelegraph Brasil, que sua infraestrutura bloqueou uma sequência de tentativas de acesso não autorizado durante a madrugada de domingo, 19 de julho. De acordo com a companhia, no mesmo dia, a ação se estendeu por cerca de seis horas, mas os responsáveis não conseguiram entrar no sistema.

A empresa disse que os registros gerados durante o incidente permitiram mapear os endereços IP e outros identificadores dos computadores usados nas tentativas. A exchange agora analisa esses dados para buscar informações sobre a origem das conexões e pretende encaminhá-los às autoridades de São Paulo nesta semana.

Um representante da plataforma levantou a hipótese de que os responsáveis integrem um grupo que procura vulnerabilidades em empresas do mercado de criptomoedas e instituições de pagamentos brasileiras.

Ao explicar como conteve as tentativas, a Ether descreveu sua infraestrutura como um conjunto de três sistemas independentes que se comunicam entre si. Segundo o relato, cada unidade mantém acessos e repositórios separados na Amazon Web Services (AWS), o que obrigaria um invasor a superar mais de uma camada para alcançar áreas sensíveis.

Caso será reportado para autoridades

“Por mais que se tente entrar na primeira camada, as últimas duas ele não consegue acessar, porque dependem de outros acessos”, afirmou o representante. Ele comparou a estrutura à necessidade de invadir três imóveis diferentes para concluir uma única ação. A comparação serviu apenas para ilustrar a separação dos ambientes; a empresa não revelou a localização física dos servidores.

A Ether afirmou que pretende registrar formalmente o episódio e enviar os dados coletados às autoridades de São Paulo ao longo desta semana. Segundo o relato, a análise interna já indentificou a localidade e o possível endereço de origem das conexões.

Ameças cibernéticas em crescimento

Ataques hackers e ameaças cibernéticas estão em crescimento, como apontou a Gen (NASDAQ: GEN) em seu Relatório de Ameaças do primeiro semestre de 2026.

Um ponto em comum permeia todo o relatório: cibercriminosos estão se movendo para mais perto das partes confiáveis da vida digital. Eles não estão apenas enviando links maliciosos ou distribuindo malwares, mas também explorando o contexto, sessões, fluxos de trabalho, marcas, sistemas de atualização, plataformas de publicidade e autoridade delegada.  

A descoberta central do Relatório de Ameaças é uma mudança em como os ataques funcionam. As ameaças mais eficazes na primeira metade de 2026 não dependeram de explorações técnicas ou engano óbvio, elas tiveram sucesso porque eram difíceis de distinguir da vida digital normal.

Golpes chegaram através de uma plataforma de reserva de hotel, referenciando uma reserva real. Contas de WhatsApp foram comprometidas não através de uma violação de senha, mas ao enganar usuários para aprovarem o navegador de um cibercriminoso como um dispositivo vinculado.

A fraude se moveu através de contas financeiras reais e verificadas porque as pessoas por trás daquelas contas tinham sido recrutadas através das redes sociais com ofertas de dinheiro rápido. E agentes de IA, operando com permissões que o usuário já tinha concedido, foram parados antes de executarem um shell reverso (técnica de invasão que dá o controle remoto do sistema ao cibercriminoso). 

"Os ataques mais eficazes no primeiro semestre de 2026 não pareciam ataques", afirma Vita Santrucek, Diretor de Tecnologia e Desenvolvimento na Gen. "Eles chegaram por meio de plataformas de reservas, conversas familiares em aplicativos de mensagens, canais de atualização de software e fluxos de trabalho de agentes de IA — todos ambientes nos quais as pessoas já confiam. À medida que os cibercriminosos se misturam às experiências digitais do dia a dia, a proteção precisa estar cada vez mais próxima dos momentos em que essa confiança é conquistada, explorada ou quebrada”.

Destaques do Relatório de Ameaças 

A telemetria da Gen do primeiro semestre de 2026 mostra a atividade de tendências nas principais áreas de ameaças ao longo dos últimos seis meses. 

As principais descobertas incluem:  

  • 114,2 milhões de ataques de golpes de e-shop bloqueados, aumento de 109% – destacando o risco crescente de lojas online falsas visando compradores. 
  • Um aumento de 387% em golpes de personificação de governo – mostrando que criminosos estão crescentemente explorando a confiança em instituições públicas para roubar dinheiro e informações.
  • Um aumento de mais de 454% nos golpes de personificação de familiares, enquanto uma atividade separada, chamada "GhostPairing", mostrou como o recurso de dispositivo vinculado do WhatsApp pode ser explorado para obter acesso persistente a uma conta e permitir que pessoas se passem por familiares. 
  • 20,3 milhões de ataques de golpes de suporte técnico bloqueados – refletindo tentativas contínuas de enganar pessoas para darem a golpistas acesso remoto a seus dispositivos ou informações financeiras. 
  • Mais de 304 milhões de impressões de anúncios de golpes identificadas através da União Europeia e do Reino Unido em menos de um mês, evidenciando o quão facilmente anúncios fraudulentos podem alcançar as pessoas. 
  • Aproximadamente 1,9 bilhão de tentativas de rastreamento bloqueadas durante o primeiro semestre de 2026 – demonstrando a escala do rastreamento online que pode corroer a privacidade do consumidor. 
  • Os alertas de notificação de violação de dados do Norton e do LifeLock com fontes de origem atribuídas aumentaram 628,1%, chegando a 3,3 milhões. No total, mais de 10 milhões de notificações de violação de dados foram enviadas, comprovando que as informações pessoais de um número cada vez maior de pessoas estão sendo expostas em vazamentos de dados. 
  • Aumento de 734% nos alertas de atividade de contas bancárias — mais uma evidência da rápida exploração financeira que acontece após uma violação. 
  • 1 milhão de ataques de web skimming bloqueados, aumento de 212% – mostrando como criminosos continuaram a visar fluxos de checkout onde usuários já esperam inserir detalhes de pagamento. 
  • Mais de 15,7 milhões de registros violados contendo endereços de e-mail identificados, dando a cibercriminosos mais oportunidades para visar consumidores com phishing, golpes e tentativas de tomada de conta. 

As principais descobertas no Brasil incluem diversas categorias de golpes que registraram aumento no primeiro semestre de 2026, entre elas: 

  • Golpes relacionados a apostas (+755%) 
  • Golpes financeiros genéricos (+261%) 
  • Golpes de suporte técnico (+93%) 
  • Golpes de lojas online falsas (e-shop scams) (+62%) 
  • Golpes de relacionamento (+24%) 
  • Phishing (+20%) 
  • A atividade de ransomware aumentou 43% 
  • A atividade de exploits aumentou 31% 
  • A atividade de droppers aumentou 23% 
  • A atividade de infostealers: web skimming (+176%), ladrões de senhas (password stealers) (+16%) e ameaças do tipo banker (+10%). 
  • O relatório também identificou uma tendência específica no Brasil: PDFs falsos de pagamento que imitavam marcas de comércio eletrônico e instituições bancárias foram utilizados para atingir o ecossistema de pagamentos via boleto.
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