Cointelegraph
Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Comissão na Câmara dos Deputados aprova uso de blockchain para validar assinaturas digitais no Brasil

Texto aprovado em comissão amplia validade jurídica de assinaturas eletrônicas fora da ICP-Brasil e abre espaço para sistemas descentralizados no país

Comissão na Câmara dos Deputados aprova uso de blockchain para validar assinaturas digitais no Brasil
Notícias

A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que amplia o uso de tecnologias de assinatura eletrônica no Brasil e reconhece oficialmente mecanismos descentralizados, como blockchain, para comprovação de autoria e integridade de documentos digitais.

O colegiado aprovou o substitutivo do deputado Rodrigo da Zaeli (PL-MT) ao Projeto de Lei 1195/2025, de autoria do deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM). A proposta altera a Medida Provisória 2.200-2/2001, responsável por criar a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), sistema que atualmente serve como principal base jurídica das assinaturas digitais no país.

Hoje, o modelo brasileiro funciona de forma centralizada. O governo autoriza e fiscaliza empresas responsáveis pela emissão de certificados digitais, garantindo que documentos assinados eletronicamente tenham o mesmo valor legal de assinaturas feitas em papel.

O projeto aprovado, porém, flexibiliza esse modelo ao permitir o uso de ferramentas previstas na Lei das Assinaturas Eletrônicas (Lei 14.063/2020), inclusive soluções que não dependam diretamente dos certificados oficiais da ICP-Brasil.

Blockchain nas assinaturas digitais

Isso abre espaço para tecnologias descentralizadas de autenticação documental, incluindo estruturas baseadas em blockchain. O parecer aprovado afirma que a tecnologia funciona como um “carimbo digital” capaz de registrar o histórico de transações e alterações de um documento em uma cadeia compartilhada de dados, distribuída em múltiplos computadores. Segundo o texto, essa característica garante autenticidade e facilita a detecção de modificações posteriores.

O relator argumentou que o ordenamento jurídico brasileiro já reconhecia parcialmente mecanismos semelhantes desde a aprovação da Lei 14.063/2020, criada durante a pandemia da Covid-19 para ampliar o uso de serviços digitais. A legislação passou a admitir assinaturas eletrônicas avançadas capazes de comprovar autoria e integridade de documentos sem depender exclusivamente da ICP-Brasil. O novo projeto, segundo Zaeli, busca harmonizar a legislação e trazer maior segurança jurídica para tecnologias atuais e futuras.

“O projeto permite maior alcance a essa e outras tecnologias, presentes e futuras”, afirmou o deputado no parecer aprovado pela comissão.

O substitutivo apresentado pelo relator também ampliou o alcance do projeto original. Em vez de simplesmente incluir o blockchain como mecanismo oficial de assinatura digital, o novo texto passou a reconhecer qualquer meio tecnológico previsto na Lei 14.063/2020 para validação documental. A redação aprovada estabelece que assinaturas eletrônicas fora da ICP-Brasil poderão ter validade jurídica desde que sejam aceitas pelas partes envolvidas ou reconhecidas por quem receber o documento.

O movimento acontece em um momento de crescimento global do uso de blockchain em processos corporativos, financeiros e administrativos. Empresas privadas já utilizam registros descentralizados para rastreamento de contratos, certificação de documentos, tokenização de ativos e validação de operações digitais. No setor público, diferentes governos também estudam aplicações para autenticação de registros e modernização burocrática.

A proposta tramita em caráter conclusivo e seguirá agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Para virar lei, ainda precisará ser aprovada pela Câmara dos Deputados e posteriormente pelo Senado Federal.

A Cointelegraph está comprometida com um jornalismo independente e transparente. Este artigo de notícias é produzido de acordo com a Política Editorial da Cointelegraph e tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Os leitores são incentivados a verificar as informações de forma independente. Leia a nossa Política Editorial https://br.cointelegraph.com/editorial-policy