O Bitcoin (BTC) rompeu sua correlação de longa data com ações de tecnologia à medida que a guerra entre EUA e Irã entrou na terceira semana.
Principais pontos:
O Bitcoin está superando as ações de tecnologia em meio à guerra entre EUA e Irã, indicando aumento da demanda como proteção geopolítica.
O cofundador da BitMEX, Arthur Hayes, alerta que a recente força de alta do BTC pode ser apenas um “dead cat bounce”.
Correlação do BTC com o Nasdaq fica negativa
Em uma base móvel de 52 semanas, a correlação do BTC com o índice Nasdaq Composite (IXIC), focado em tecnologia, caiu para -0,06, o menor nível desde dezembro de 2018. Isso representa uma reversão acentuada em relação aos últimos anos, quando a correlação variava entre 0,60 e 0,92.

A correlação ficou negativa no fim de fevereiro, coincidindo com o ataque dos EUA e de Israel ao Irã.
Desde 28 de fevereiro, quando a guerra começou, o BTC/USD subiu mais de 15%, enquanto o Nasdaq caiu cerca de 2%.
Essa divergência sugere que os traders estão tratando cada vez mais o Bitcoin como proteção geopolítica, e não apenas como um ativo de risco correlacionado ao setor de tecnologia.
Por que o Bitcoin está se desacoplando das ações de tecnologia?
Um dos principais fatores por trás da força do Bitcoin parece ser a agressiva acumulação de BTC pela Strategy.
Nas últimas duas semanas, a empresa de Michael Saylor comprou 40.331 BTC, com parte das aquisições financiadas por meio da venda de ações preferenciais STRC no modelo at-the-market (ATM).

Esse volume de compras equivale a cerca de 9 a 10 vezes a quantidade de Bitcoin minerada no mesmo período, ou seja, a demanda superou amplamente a nova oferta.
Ao mesmo tempo, os fundos negociados em bolsa de Bitcoin spot nos EUA registraram mais de US$ 12,22 bilhões em entradas, adicionando outra forte fonte de demanda.

Outro fator que sustenta o cenário positivo é o aumento da liquidez de stablecoins ligado à demanda no Oriente Médio durante a guerra. A capitalização de mercado do USDC subiu para um recorde próximo de US$ 79,57 bilhões, ante cerca de US$ 70 bilhões no início de fevereiro.

Esse aumento ocorre em meio ao crescimento da demanda por stablecoins lastreadas em dólar em centros como Dubai durante o conflito entre EUA, Israel e Irã.
O aumento da oferta de USDC indica maior liquidez em dólar entrando nos ativos digitais, reforçando a demanda por Bitcoin justamente quando as compras da Strategy reduzem a oferta disponível.
Joe Consorti, chefe de crescimento da empresa de ações de Bitcoin Horizon, afirmou que o Bitcoin está passando por um “teste de estresse geopolítico”, com alguns modelos macro indicando que o preço pode chegar a US$ 100.000 nos próximos meses.
Arthur Hayes alerta para “dead cat bounce”
Apesar da divergência recente, nem todos os analistas acreditam que o Bitcoin tenha se desacoplado estruturalmente das ações.
Em uma publicação de 5 de março, o cofundador da BitMEX, Arthur Hayes, afirmou que a recente alta do Bitcoin para a faixa dos US$ 70.000 pode ser um “dead cat bounce”, alertando que a fraqueza contínua das ações de SaaS em meio a condições financeiras mais restritivas pode pressionar o BTC para baixo.

O Bitcoin continua mais correlacionado com ações de SaaS dos EUA do que com o Nasdaq como um todo.
Ao contrário do Nasdaq, que inclui setores mais defensivos e diversificados, empresas de SaaS, como Salesforce, Adobe e Zoom, são ativos de alto crescimento e sensíveis à liquidez, que tendem a se mover em linha com condições macro semelhantes às do mercado cripto.
A cautela de Hayes já aparece nos dados de mercado.
O índice Coinbase Premium permanece negativo em uma média móvel de 30 dias, indicando demanda fraca no mercado à vista dos EUA e sugerindo que a recente alta não tem forte continuidade institucional.

Além disso, a recente rejeição do Bitcoin na região de resistência de US$ 76.000, que coincide com a linha de tendência superior de um padrão de bandeira de baixa, aumenta a probabilidade de queda até a linha inferior, próxima de US$ 68.000.

Uma quebra decisiva abaixo de US$ 68.000 pode levar o preço do BTC a cair até o alvo projetado de aproximadamente US$ 51.000.
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