Resumo da notícia
Bitcoin mantém suporte entre US$ 60 mil e US$ 64 mil após choques macro
ETFs indicam mudança de arbitragem para alocação estratégica institucional
Baleias acumulam BTC enquanto investidores de varejo reduzem exposição.
Apesar do duplo choque provocado pela escalada geopolítica no Irã no chamado “Black Saturday”, há duas semanas, somado ao resultado abaixo do esperado do relatório de emprego dos Estados Unidos (Non-Farm Payrolls – NFP), que indicou a perda de 92 mil vagas, o piso entre US$ 60 mil e US$ 64 mil para o bitcoin tem demonstrado uma resiliência inesperada.
Desde então, de acordo com um análise da Bitfinex, os preços do petróleo subiram quase 80%, movimento que tende a influenciar as próximas leituras do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA, já que energia representa cerca de 9% do cálculo final do indicador. Essa pressão inflacionária sugere um ambiente desafiador para ativos de risco.
No caso do Bitcoin, no entanto, duas forças atuam ao mesmo tempo. A primeira é a tendência histórica do BTC se mover com mais intensidade e rapidez do que outros ativos de risco. Com a correlação com o setor de tecnologia, tradicionalmente mais arriscado, aumentando, enquanto a correlação com ativos de proteção como o ouro diminui, o bitcoin tem registrado quedas mais acentuadas antes de outros mercados. “, destaca a análie.
Ao mesmo tempo, também costuma atingir o fundo antes deles. Esse comportamento pode estar se repetindo agora, já que o BTC vem apresentando desempenho significativamente mais fraco que o S&P 500 e o Nasdaq durante boa parte dos últimos dois trimestres.
O cenário atual pode ser descrito como uma fase de “Grande Desalavancagem”. O sentimento do investidor de varejo permanece cauteloso após uma queda de 52% entre o pico de outubro de 2025 e o fundo mais recente. Com isso, o excesso de especulação que havia no mercado foi praticamente eliminado.
Segundo a Bitfinex, esse movimento pode ser observado no Leverage Reset Index (LRI), indicador que mede a relação entre o open interest agregado (contratos em aberto) e as reservas de bitcoin disponíveis nas exchanges à vista. O índice caiu para 0,32, o menor nível em vários anos.
Na prática, isso indica que a formação de preços do Bitcoin está sendo cada vez mais influenciada pela demanda no mercado à vista, e não por posições altamente alavancadas em derivativos. Esse ambiente pode abrir espaço para um movimento de recuperação mais consistente quando a volatilidade macroeconômica diminuir.
Fluxo de ETFs indica mudança no perfil dos investidores
A evolução dos fluxos dos ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos oferece uma das evidências mais claras de mudança estrutural no mercado. O período atual marca a transição do ciclo de “carry trade”, dominante entre 2024 e 2025 — quando hedge funds utilizavam ETFs para operações de arbitragem de base — para uma fase de “alocação estratégica”, liderada por gestores de patrimônio e consultores financeiros.
Março começou com uma forte expansão: entre 2 e 4 de março, os ETFs registraram entradas líquidas de US$ 1,14 bilhão. No entanto, o movimento encontrou resistência entre 5 e 6 de março, quando houve uma onda de distribuição de US$ 576,8 milhões à medida que o preço se aproximava da faixa de US$ 72 mil, considerada uma zona de topo recente.
Já a sessão de 9 de março confirmou o retorno da demanda, com entrada líquida de US$ 167,1 milhões, embora o volume ainda não seja suficiente para indicar uma tendência mais clara no curto prazo.
Os dados on-chain também indicam uma divergência relevante no comportamento dos investidores. Enquanto o varejo — carteiras com menos de 10 BTC — vem sendo vendedor líquido há mais de 30 dias, as chamadas “whales” (entidades que possuem mais de 1.000 BTC) aumentaram suas posições em cerca de 8% desde o pico de outubro”, aponta a Bitfinex.
Esse padrão sugere que investidores de maior porte continuam acumulando bitcoin enquanto parte do mercado ainda reduz exposição.
Um estudo anterior do Federal Reserve aponta que cada aumento sustentado de US$ 10 no preço do petróleo pode elevar o CPI dos EUA em cerca de 20 pontos-base. Esse cenário de possível estagflação representa hoje um dos principais riscos para os ativos de risco.
Caso o petróleo avance para níveis próximos de US$ 120 e permaneça nesse patamar, o Federal Reserve provavelmente seria pressionado a adotar uma postura monetária mais restritiva. Isso poderia enfraquecer a tese de recuperação para o mercado cripto.Por outro lado, se os custos de energia se estabilizarem, a narrativa do bitcoin como “ouro digital” tende a ganhar força, à medida que investidores buscam ativos líquidos e independentes do sistema monetário tradicional”, disse a exchange.
Volatilidade indica cautela no curto prazo, mas visão construtiva no longo prazo
A volatilidade implícita das opções de bitcoin at-the-money (ATM) está atualmente elevada, mas ainda longe de níveis extremos. O indicador gira em torno de 47% na maioria dos vencimentos de curto e médio prazo.
Esse nível ainda está bem abaixo das leituras próximas de 100% registradas durante o bear market de 2022, ou mesmo dos picos entre 75% e 95% observados no início de fevereiro.
A estrutura a termo da volatilidade permanece levemente invertida, com opções de curto prazo negociando com prêmio maior do que as de vencimentos mais longos. Esse padrão costuma indicar um mercado que precifica incertezas no curto prazo, possivelmente ligadas à próxima reunião do Federal Open Market Committee (FOMC) e ao conflito no Oriente Médio, enquanto mantém uma perspectiva mais construtiva para o horizonte de longo prazo.”, finaliza.

