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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Bitcoin ainda pode buscar US$ 75 mil apesar de perder o suporte de US$ 70 mil novamente

Após pressão macro e saída de ETFs, Bitcoin perde suporte-chave, mas ainda mantém potencial de recuperação no curto prazo, segundo análise técnica.

Bitcoin ainda pode buscar US$ 75 mil apesar de perder o suporte de US$ 70 mil novamente
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Nesta quinta, 19, o Bitcoin voltou a perder o suporte dos US$ 70 mil, mas ainda mantém potencial de recuperação no curto prazo. Segundo Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, o comportamento recente do mercado não reflete apenas fatores internos do setor cripto.

“O Bitcoin reagiu a uma sequência de eventos que começou fora do mercado cripto e foi gradualmente transmitida para dentro dele”, afirma.

Durante a primeira quinzena, o ativo oscilou dentro de um intervalo relevante. A máxima atingiu US$ 76 mil, enquanto a mínima ficou em US$ 65.056, com variação de 16,8% no período.

De acordo com a analista, os ETFs spot de Bitcoin foram o principal motor do mercado neste período. Entre os dias 2 e 18 de março, os fundos registraram cerca de US$ 1,53 bilhão em entradas líquidas, sustentando a recuperação do preço.

“A retomada consistente de entradas via ETFs gerou um fluxo comprador relevante, que sustentou a alta no início do mês e absorveu a oferta”, explica Ana.

Esse movimento garantiu suporte ao ativo mesmo diante de incertezas. No entanto, o cenário começou a mudar no dia 18 de março, quando os ETFs registraram saída líquida, indicando maior sensibilidade ao ambiente macro.

A mudança coincidiu com a escalada de tensões envolvendo o Irã e a infraestrutura global de energia, o que elevou o preço do petróleo e aumentou as preocupações com inflação.

Macro pressiona e muda o rumo do Bitcoin

O impacto macroeconômico ganhou força após a reunião do FOMC, também em 18 de março. O Federal Reserve manteve os juros, mas revisou a projeção de inflação para 2026 de 2,5% para 2,7%.

“Com inflação mais alta e dados econômicos mais fracos, o mercado reduziu as apostas em cortes de juros, o que fortaleceu o dólar e elevou os yields”, destaca a analista.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos subiram cerca de 30 pontos-base, alcançando 4,25% no mês. Esse movimento pressionou ativos de risco, incluindo o Bitcoin.

No mesmo dia, o BTC chegou a US$ 74.672, mas perdeu força e fechou o intradiário próximo de US$ 70.500, com queda de 5,5%. Apesar da perda de suporte, o cenário não é totalmente negativo. Segundo Ana de Mattos, o ativo segue em consolidação e ainda pode retomar a alta.

“Se houver retomada da força compradora, o Bitcoin pode buscar novamente a região dos US$ 75.800 e até US$ 85.000, onde há maior concentração de oferta”, afirma.

Por outro lado, em caso de nova pressão vendedora, os principais suportes estão em US$ 63.900 e US$ 53.300.

Ethereum e Solana seguem pressionados

O movimento do Bitcoin também afetou outras criptomoedas relevantes. O Ethereum perdeu força após testar US$ 2.360, refletindo o enfraquecimento do fluxo comprador.

“Enquanto permanecer abaixo dessa resistência, o ativo tende a buscar suportes em US$ 1.745 e US$ 1.665”, explica a analista.

Já a Solana, destaque do período, tentou uma recuperação, mas não conseguiu sustentar o movimento.

“Sem força compradora consistente, a Solana pode voltar a cair e buscar liquidez em US$ 67 e US$ 57”, afirma.

As resistências permanecem em US$ 100 e US$ 120, limitando uma recuperação mais sólida no curto prazo.

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