Em meio ao maior choque energético global recente envolvendo o petróleo, o Bitcoin (atualmente oscilando entre US$ 69 mil e US$ 70 mil) vem atraindo capital, ao mesmo tempo que investidores reduzem exposição a ativos tradicionais, sugerindo uma mudança relevante no comportamento de alocação em cenários de estresse geopolítico. É o que mostra o relatório semanal da Binance Research, publicado na última quinta-feira.
A volatilidade do petróleo bruto está extremamente elevada desde que os Estados Unidos lançaram ataques contra a Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã, em resposta ao bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz. Com isso, aproximadamente 20% da oferta global de petróleo foi afetada.
Nesse contexto de forte tensão geopolítica global, o Bitcoin tem apresentado tendência de valorização, sugerindo que ele pode funcionar como uma proteção específica contra riscos geopolíticos extremos, em vez de um ativo de refúgio convencional.

Ouro x Bitcoin
Embora o período de observação desde o ataque inicial ainda seja limitado, a movimentação do preço do Bitcoin exibiu características notáveis de aversão ao risco — mantendo uma correlação positiva com o petróleo bruto, o dólar e os títulos. Enquanto isso, as ações e o ouro foram impactados negativamente pelo ocorrido.
“Essa divergência sugere uma crescente disposição institucional em utilizar ativos digitais como ferramenta de diversificação de portfólio, particularmente em meio à acentuada volatilidade macroeconômica e à incerteza geopolítica”, destaca o relatório da Binance Research.

Os fluxos de ETFs de Bitcoin reforçam ainda mais essa tese, registrando entradas líquidas positivas de US$ 1,5 bilhão desde o início do conflito. Em contrapartida, os ETFs dos índices S&P 500 e Nasdaq sofreram saídas líquidas significativas de US$ 4,04 bilhões e US$ 2,58 bilhões, respectivamente, no mesmo período — o que evidencia uma clara divergência nas preferências de alocação dos investidores em meio ao atual cenário geopolítico.

Após um volume recorde de negociações com suas ações preferenciais, a Strategy (STRC), maior empresa de tesouraria de Bitcoin do mundo, vendeu 11,9 milhões de ações STRC, arrecadando aproximadamente US$ 1,18 bilhão. Somando-se a isso as vendas adicionais de ações ordinárias Classe A da MSTR, a empresa investiu um total de aproximadamente US$ 1,57 bilhão para adquirir 22.337 BTC em 16 de março.
No acumulado do ano, a Strategy acumulou aproximadamente 878 mil BTC (20% em comparação com 2025) a um custo total de cerca de US$ 7,17 bilhões (32% em comparação com 2025), o que reforça sua postura agressiva de acumulação contínua.
O crescimento contínuo na adoção desse instrumento de investimento, juntamente com um número crescente de empresas que o utilizam como ferramenta de captação de recursos, provavelmente aumentará a capacidade de acumulação de ativos digitais corporativos e contribuirá para uma mudança estrutural de preços no médio prazo.
O que esperar para o Bitcoin
Olhando para o futuro, o relatório ressalta que os preços do petróleo, a situação no Estreito de Ormuz, as infraestruturas energéticas do Golfo e a conjuntura mais ampla do Oriente Médio continuam sendo os principais fatores macroeconômicos. Para o Bitcoin, uma sustentação acima de US$ 70.000 é crucial para que qualquer recuperação possa ser caracterizada com convicção, e não ser descartada como um mero repique passageiro. Resumo de desempenho
Desempenho semanal e anual – criptomoedas e ativos do mercado global

Desempenho indexado acumulado no ano do Bitcoin


