
MARA registra prejuízo no segundo trimestre apesar do aumento da produção de Bitcoin
A mineradora alcançou o maior nível de produção de Bitcoin em mais de um ano, mas a queda de 28% no preço médio da criptomoeda pesou sobre os resultados trimestrais.

A mineradora de Bitcoin MARA registrou um prejuízo líquido de US$ 611,3 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o lucro obtido no mesmo período do ano anterior. O prejuízo foi impulsionado principalmente pela variação no valor de suas reservas de Bitcoin, apesar de ter reportado sua maior produção trimestral de Bitcoin em mais de um ano.
O prejuízo líquido, equivalente a US$ 1,60 por ação diluída, representa uma queda em comparação com o lucro líquido de US$ 808,2 milhões, ou US$ 1,84 por ação diluída, no segundo trimestre de 2025, de acordo com o formulário 10-Q da empresa, arquivado na SEC. A MARA minerou 2.422 Bitcoins no trimestre, 3% a mais do que no mesmo período do ano anterior, mas o aumento na produção foi mais do que compensado por uma queda de 28% no preço médio do Bitcoin.
“Dois fatores definiram o segundo trimestre para a MARA. Os preços do Bitcoin criaram um ambiente de receita desafiador [e] usamos o trimestre para transformar fundamentalmente nosso portfólio de energia e estrutura de capital”, disse o diretor financeiro da MARA, Salman Khan, durante uma teleconferência sobre resultados na quinta-feira.
O trimestre destaca a exposição da MARA aos preços do Bitcoin, mesmo enquanto expande sua capacidade de mineração e investe em infraestrutura de IA e computação de alto desempenho. Em 30 de junho, a MARA detinha um total de 35.577 Bitcoins, com um valor justo total de US$ 2,1 bilhões, o que a torna a quarta maior detentora pública de Bitcoin, atrás da Strategy, Twenty One Capital e Metaplanet.
A MARA prevê expansão contínua da IA
Em fevereiro, a empresa adquiriu uma participação majoritária na Exaion SaS, que opera centros de dados de computação de alto desempenho (HPC) e infraestrutura segura de nuvem e IA.
No mesmo mês, a MARA também anunciou uma parceria com o Starwood Capital Group e sua plataforma de desenvolvimento de data centers, a Starwood Digital Ventures, para viabilizar a conversão de sites selecionados da MARA para atender à demanda de "clientes corporativos, de hiperescala e de IA".
A MARA afirmou que pretende fechar pelo menos dois contratos de arrendamento de IA/HPC até o final do ano.
“Em parceria com a Starwood, estamos avançando nas negociações de arrendamento em vários locais e continuamos confiantes em nossa capacidade de assinar pelo menos dois contratos de arrendamento antes do final do ano”, disse o CEO da MARA, Fred Thiel, na quinta-feira.
Em julho, a MARA também concordou em adquirir um terreno de 1.200 acres com energia elétrica no Condado de Matagorda, Texas, com acesso previsto a até 2 gigawatts de capacidade da rede até abril de 2028. A empresa afirmou que pretende desenvolver o local para cargas de trabalho de IA e HPC, bem como para mineração de Bitcoin.
Os planos de expansão da MARA também incluem a aquisição pendente da Long Ridge Energy & Power em Ohio, um negócio de US$ 1,5 bilhão que, segundo a MARA, poderá suportar até 600 megawatts de carga de IA e TI crítica ao longo do tempo.
A mineração de Bitcoin continua sendo fundamental
Em carta aos acionistas na quinta-feira, Thiel afirmou que a mineração de Bitcoin ainda representa o núcleo dos negócios da MARA e continuará a gerar fluxo de caixa que sustenta seus outros investimentos.
“Em última análise, não consideramos a mineração de Bitcoin e a infraestrutura de IA como negócios concorrentes”, disse Thiel.
“Nossa filosofia de alocação de capital permanece simples. Cada megawatt deve ser implantado em sua aplicação de maior valor. Em alguns mercados, essa aplicação continuará sendo a mineração de Bitcoin. Em outros, será infraestrutura de IA, nuvem soberana ou computação empresarial.”

