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William Suberg
Escrito por William Suberg,Redator
Allen Scott
Revisado por Allen Scott,Editor da Equipe

US$ 75 mil ou mudança de regime de baixa? Cinco pontos para saber sobre o Bitcoin nesta semana

A análise do mercado de Bitcoin se concentrou nas liquidações e no pavio até US$ 59.000 em busca de sinais do próximo movimento significativo do preço do BTC em prazos menores.

US$ 75 mil ou mudança de regime de baixa? Cinco pontos para saber sobre o Bitcoin nesta semana
NOTÍCIAS DO MERCADO

O Bitcoin (BTC) inicia uma nova semana em um ponto decisivo, enquanto análises indicam a possibilidade de um novo short squeeze.

  • O Bitcoin encerrou a semana acima de uma importante linha de tendência de 200 semanas, renovando a expectativa de um movimento até US$ 75.000.

  • As liquidações permanecem elevadas, com um trader observando que os comprados devem assumir a dianteira daqui para frente.

  • Dados de inflação dos EUA se acumulam, deixando a volatilidade dos ativos de risco para mais adiante na semana.

  • Os dados on-chain de lucratividade do Bitcoin traçam um cenário preocupante, com o índice de lucro e prejuízo não realizado líquido atingindo máximas de três anos.

  • UTXOs com prejuízo sugerem que o Bitcoin pode estar no início de um novo mercado de baixa.


Bitcoin encara faixa de 2024 e “muita incerteza”

O Bitcoin registrou um fechamento semanal surpreendentemente tranquilo no domingo, mas os traders conhecem a importância da faixa de preço atual.

Em torno de US$ 68.800 na Bitstamp, segundo dados da TradingView, o fechamento semanal ocorreu acima de uma linha de tendência de longo prazo fundamental para uma possível continuidade da alta.

Gráfico de uma hora BTC/USD. Fonte: Cointelegraph/TradingView

Atualmente em US$ 68.343, a média móvel exponencial (EMA) de 200 semanas forma uma das duas linhas decisivas próximas para os participantes do mercado. A outra é a antiga máxima histórica do Bitcoin, registrada em 2021, pouco acima de US$ 69.000.

Gráfico diário BTC/USD com EMA de 200 semanas. Fonte: Cointelegraph/TradingView

“Voltamos para dentro de uma antiga faixa importante que segurou o preço por sete meses!”, escreveu o trader CrypNuevo em sua análise mais recente no X.

CrypNuevo fez referência à longa consolidação em torno da região de US$ 69.000 que o par BTC/USD formou em 2024.

Ele observou que, na semana passada, o par preencheu quase metade do pavio até mínimas de 15 meses registradas no início de fevereiro, algo que pode ter relevância para a tendência mais ampla de preços.

“Então o Bitcoin pode ficar lateralizado aqui por algum tempo, o que significa que o preço pode testar as mínimas da faixa”, continuou a análise.

“Somente se: 1. O Bitcoin cair de volta até o nível de 50% de preenchimento do pavio (sinal para 100% de preenchimento). 2. Houver aceitação abaixo de 100% do pavio.”
Gráfico semanal BTC/USDT. Fonte: CrypNuevo/X


CrypNuevo destacou um movimento de recuperação até US$ 75.000 como o gatilho para uma “recuperação surpresa”, acrescentando que o Bitcoin “tende a fazer o oposto do sentimento do mercado.”

“Muita incerteza para a próxima semana. Além disso, segunda-feira é feriado bancário nos EUA, então espero volatilidade irregular (provavelmente baixa volatilidade nesse dia)”, concluiu.

Gráfico semanal BTC/USDT. Fonte: CrypNuevo/X

Liquidações cripto seguem elevadas em torno dos US$ 70.000 no BTC

Apesar da relativa falta de volatilidade no preço do BTC desde a recuperação das mínimas de US$ 59.000, o mercado continua altamente sensível até mesmo a movimentos menores.

Isso se reflete nas liquidações elevadas em todo o mercado cripto, com posições compradas e vendidas próximas ao preço à vista sendo repetidamente eliminadas.

Dados do recurso de monitoramento CoinGlass mostram que o total de liquidações nas 24 horas até o momento da publicação supera US$ 250 milhões. Nesse período, o BTC/USD oscilou dentro de uma faixa inferior a US$ 3.000.

Mapa de calor de liquidações cripto. Fonte: CoinGlass

A CoinGlass agora mostra traders aumentando posições compradas em BTC logo abaixo de US$ 68.000 no início da semana.

Comentando, o trader CW disse que essas posições podem se tornar o próximo alvo das baleias.

CW trouxe possíveis boas notícias para os touros, afirmando que os comprados ainda predominam na estrutura atual de mercado.

“Apesar da liquidação significativa de posições compradas em $BTC, os comprados continuam dominantes. As expectativas de uma tendência de alta permanecem intactas”, disse aos seguidores no X.

Na sexta-feira, quando o BTC/USD avançou acima de US$ 70.000 na abertura de Wall Street, as liquidações de vendidos superaram até mesmo recordes recentes. Com 10.700 BTC, o volume de liquidações de posições vendidas registrou sua maior leitura diária desde setembro de 2024.

“Se a demanda no mercado à vista acompanhar, esse aperto pode ser o primeiro sinal de que a tendência de baixa está perdendo força”, escreveu a exchange Bitfinex em reação no X.

Histórico de liquidações cripto (captura de tela). Fonte: CoinGlass

PCE e PIB lideram semana macro volátil

Com os mercados dos EUA fechados na segunda-feira devido ao feriado do Dia dos Presidentes, dados econômicos relevantes, e qualquer volatilidade associada aos ativos de risco, ficarão para mais adiante na semana.

Entre os principais indicadores previstos está o índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), conhecido como o indicador de inflação “preferido” do Federal Reserve. Os dados do PIB do quarto trimestre também serão divulgados no mesmo dia, sexta-feira.

O PCE será publicado em um momento crucial para a política do Fed, números recentes de inflação trouxeram um cenário misto das condições econômicas, gerando incerteza nos mercados. As expectativas de que o Fed volte a flexibilizar a política monetária na reunião de março permanecem baixas, apesar do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da semana passada ter vindo abaixo do esperado.

Segundo a FedWatch Tool do CME Group, as probabilidades de que as autoridades mantenham as taxas de juros nos níveis atuais no próximo mês permanecem acima de 90%.

“Espere mais volatilidade nesta semana”, escreveu o boletim The Kobeissi Letter no X ao resumir os próximos eventos macroeconômicos.

“Enquanto isso, as tensões geopolíticas permanecem e a incerteza macroeconômica está elevada.”
Probabilidades da taxa-alvo do Fed para a reunião de março do FOMC (captura de tela). Fonte: CME Group

Na edição mais recente de seu boletim The Market Mosaic, a empresa de análise Mosaic Asset Company também destacou o relatório de emprego dos EUA da semana passada como um possível desafio para o Fed.

“O relatório está obscurecendo as perspectivas de novos cortes de juros pelo Federal Reserve, com as probabilidades implícitas pelo mercado apontando para dois cortes de 0,25 ponto percentual ainda neste ano. No entanto, o rendimento do Tesouro de dois anos, que antecede mudanças na taxa dos fed funds, está próximo da parte inferior da faixa atual e sugere nenhum corte”, observou.


Análise coloca foco na região dos US$ 50 mil médios

Em nova pesquisa de mercado divulgada na segunda-feira, a plataforma de análise on-chain CryptoQuant afirmou que os próximos fundos de preço do BTC dependerão cada vez mais da “resiliência dos investidores”.

Ao analisar a primeira metade de fevereiro, o colaborador GugaOnChain alertou para um possível confronto na confluência de dois níveis importantes abaixo de US$ 60.000.

Nessa região, a média móvel simples (SMA) de 200 semanas do Bitcoin encontra seu preço realizado, o nível agregado em que a oferta foi movimentada pela última vez on-chain.

“Uma queda de 50% do Bitcoin em direção à média móvel de 200 períodos no gráfico semanal, que converge com a região do preço realizado em US$ 55.800, será um teste significativo, além de ser vista por analistas como uma área propícia para acumulação”, escreveu GugaOnChain em uma publicação Quicktake.

“No entanto, a virada para recuperação agora depende da resiliência dos investidores.”
Preço realizado do Bitcoin. Fonte: CryptoQuant


A pesquisa também apontou valores relativamente baixos no indicador de lucro/prejuízo não realizado líquido (NUPL), uma métrica da lucratividade geral das posições em BTC.

O NUPL atualmente marca 0,201, após ter se recuperado das mínimas de 0,11 registradas em 06/02. Essa última leitura foi a mais baixa do indicador desde março de 2023.

GugaOnChain descreveu o NUPL como estando “na região de medo”.

Bitcoin NUPL. Fonte: CryptoQuant

Bitcoin pode ainda não ter encontrado o “fundo real”

Outros dados on-chain de lucratividade vão além e alertam que a atual queda do preço do BTC pode ser apenas o início de uma “mudança de regime”.

Nesse caso, a CryptoQuant utilizou o indicador adjusted spent output profit ratio (aSOPR), uma métrica que mede a proporção de moedas movimentadas on-chain a preços superiores em comparação com sua transação anterior.

O aSOPR desconsidera moedas que foram movimentadas mais de uma vez em um intervalo de uma hora, ajudando a eliminar “ruídos” de transações que não necessariamente implicam prejuízo para o detentor.

Em 06/02, o indicador caiu abaixo do nível de equilíbrio de 1, indicando prejuízos realizados em uma escala não vista desde 2023 e o fim do último mercado de baixa do Bitcoin.

“Em 2019 e 2023, leituras semelhantes ocorreram durante fases corretivas profundas, quando moedas estavam sendo gastas com prejuízo”, comentou o colaborador Woo Minkyu em outra publicação Quicktake.

“Em cada ocasião, essa zona representou pressão de capitulação e um reajuste estrutural. Agora, o aSOPR volta a pressionar essa mesma região.”
Gráfico do aSOPR do Bitcoin (captura de tela). Fonte: CryptoQuant


Woo descreveu a estrutura atual do mercado como algo que “se assemelha a fases anteriores de transição para mercado de baixa”.

“Ao contrário de correções no meio do ciclo, em que o aSOPR rapidamente recupera o nível de 1,0, esse movimento mostra fraqueza sustentada e realização de prejuízos. Se o aSOPR não recuperar 1,0 em breve, aumenta a probabilidade de que não estejamos em uma simples correção, mas em transição para uma fase de baixa mais ampla”, alertou.

O aSOPR atualmente marca 0,996, tendo conseguido apenas breves picos acima do ponto de equilíbrio ao longo do último mês.

“O aSOPR está sinalizando deterioração estrutural. Isso parece menos uma queda pontual e mais uma mudança de regime”, concluiu Woo.

“O fundo real pode ainda exigir uma compressão mais profunda antes que uma reversão sustentável se forme.”



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