Um dos grandes desafios do Bitcoin nos próximos anos é sua adoção. Sua assunção como ativo financeiro por parte dos investidores institucionais está em curso, chamando a atenção da mídia financeira especializada, pelas seguidas exposições de investidores bilionários, tais como Ray Dalio e de grandes fundos de investimento, como foram os casos da Fidelity e Microstrategy, por exemplo. Vários movimentos institucionais se dirigindo em direção ao Bitcoin, tirando-o das mãos dos entusiastas e o elevando a uma posição de destaque nos balanços dos grandes portfólios de investimento. 

Para Mike Novogratz, CEO da Galaxy Digital, a conscientização e a educação sobre criptomoedas ainda não são altas o suficiente para levar mais pessoas à indústria, o que sugere que as pessoas não assumiram o Bitcoin ainda devido ao fato de que comprá-lo ainda é algo difícil, em sua recente entrevista na CNBC

Algumas pessoas nem sabem o que são as criptomoedas, algumas não têm informações sobre para que elas podem ser usadas e outras não veem nenhum benefício nisso. Os investimentos em criptomoedas e seu uso como ferramenta de investimento estão associados a riscos e durante muito tempo, o Bitcoin foi evitado como ativo para compor portfólios de fundos. Cenário que se alterou em 2020. Também é importante destacar, que embora o Bitcoin esteja se tornando uma opção viável para o capital institucional, ainda há alguma má vontade governamental que serve de base para retardar a adoção da criptomoeda, com restrições governamentais sobre o uso da criptomoeda para empresas e instituições financeiras. Em particular no Brasil, que ainda não avançou com leis e regulamentações mais simpáticas às criptomoedas.

Mas se estamos diante de uma tecnologia tão avançada, por que a demora em sua adoção e conhecimento por parte das pessoas? Para a Harvard Business Review a resposta está não na disrupção que a tecnologia Blockchain e consequentemente das criptomoedas representam e sim nos fundamentos. 

A tecnologia Blockchain é uma tecnologia fundamental: tem o potencial de criar novas bases para nossos sistemas econômicos e sociais. Mas embora o impacto seja enorme, levará décadas para que o conceito de blockchains penetre na infraestrutura econômica e social vigente. O processo de adoção será gradual e estável, não repentino, conforme as ondas de mudança tecnológica e institucional ganham impulso. 
 

Tecnologias que alteram o status quo levam décadas para serem assimiladas

Tomemos como exemplo de tecnologia fundamental o TCP/IP que é o protocolo que permitiu a criação da internet como a conhecemos e é o seu alicerce fundamental. aO TCP/IP foi criado nos laboratórios da Advanced Research Projects Agency (Arpa) em 1966, um laboratório de pesquisa para fins militares e criação de uma rede de comunicação descentralizada para a Defesa dos EUA. A criação do protocolo deu origem à ARPAnet e que veio a se tornar a World Wide Web (WWW) em 1990.

Levou mais de 30 anos para o TCP/IP passar por todas as fases - uso único, uso localizado, substituição e transformação - e por fim remodelação da economia. Hoje, mais da metade das empresas públicas mais valiosas do mundo têm modelos de negócios baseados em plataformas e baseados na Internet. O resto é história.

A adoção da internet também não foi instantânea, em dezembro de 1995 só havia 16 milhões de usuários de internet no mundo, segundo dados da IDC, somente 0,4% da população mundial. Só atingiu 1 bilhão de usuários mundiais em dezembro de 2005, 15.7% da população mundial, segundo dados da Internet World Stats. aLevou-se exatos 10 anos para que a internet alcançasse 1 bilhão de usuários. Atualmente, segundo dados da Internet World Stats, há 4,833 bilhões de usuários, ou 62% da população mundial.

Com o Bitcoin e todas as tecnologias que estão em volta dele, não será diferente. Dez anos depois do seu lançamento, após muito descrédito, ele começa a ser absorvido pelos grandes players e o passo seguinte será a adoção em massa por parte da população.

 

A adoção do Bitcoiné Millennial

De acordo com uma pesquisa feita pela The Harris Poll, em nome da Blockchain Capital, realizada entre 23 a 25 de abril de 2019 com 2.029 americanos adultos, o Bitcoin se mostrou muito mais ‘palatável’ aos jovens que aos mais velhos, segundo postagem de Spencer Bogart, diretor-geral da Blockchain Capital.

 

Fonte: Blockchain Capital

Segundo o gráfico acima, o conhecimento do Bitcoin é forte em todas as faixas etárias - aqueles de 18 a 34 anos têm as taxas mais altas de conhecimento, 90%, e aqueles com mais de 65 anos, os mais baixos, 88%. 

Entre aqueles de 18 a 34 anos, 60% se descreveram como pelo menos 'um pouco familiarizados' com o Bitcoin - acima dos 42% em outubro de 2017. Em relação aos segmentos mais velhos da população, aqueles com idade entre 18 e 34 anos têm 3x mais probabilidade de ser pelo menos 'um pouco familiarizados' com o Bitcoin como pessoas com 65 anos ou mais.

O mesmo movimento foi identificado por Nate Geraci, presidente do The ETF Store, revelou em entrevista à Bloomberg TV que seus clientes da geração Y – nascidos entre o início da década de 1980 e final da década de 1990, pedem para manter Bitcoin em seus portfólios. 

“Quando conversamos com nossos clientes mais jovens – sobre a alocação de ouro que mantemos em nossos portfólios, eles dizem: ‘E quanto aos criptoativos?’ demonstrando a preferência pelo Bitcoin.” 

A afirmação pode ser reforçada por dados estatísticos, que demonstram que investidores mais jovens estão confortáveis ​​com a posse de criptomoedas em seus portfólios. Uma pesquisa realizada pela eToro aponta que pessoas de 18 a 34 anos de idade estão “muito” ou “um tanto” propensas a comprar Bitcoin nos próximos cinco anos, e que 43% dos millennials confiam mais nas exchanges do que nas bolsas de valores.

Fonte: Statista

Segundo dados da Statista, há países no qual a adoção e conhecimento sobre o Bitcoin já está na faixa dos 30%. No mundo a Nigéria já alcançou essa marca. A África segue liderando a adoção das criptomoedas no mundo.

 

 

Lei de Moore em ação

Para o famoso analista Willy Woo, que hoje fez uma postagem em seu Twitter, se observarmos a Lei de Moore, na qual preconiza que sistemas fechados dobram de tamanho a cada 18 meses, então segundo Woo em 4 anos, 30% da população mundial terá algum saldo de Bitcoin.

O efeito direto desse cenário será que os 70% restantes da população não terão acesso fácil/barato ao Bitcoin, levando seu preço a níveis só previstos pelo analista e hodler PlanB e precursor da métrica Stock to Flow (S2F), que diz que o Bitcoin valerá US$ 1 milhão.

Considerando que há 7,8 bilhões de pessoas, segundo o Worldometers, 30% são 2,34 bilhões possuindo alguma fração de Bitcoin. Se houver 15 milhões BTC disponíveis (4 milhões perdidos e 2 milhões não extraídos ainda), o hodler médio terá 64.100 Satoshi, ou 0.00064100, o equivalente no instante dessa redação a R$ 64.11.

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