Depois de El Salvador adotar o Bitcoin (BTC), oficialmente como moeda legal, o preço do BTC sofreu quedas substanciais, chegando a cair mais de R$ 30 mil no Brasil e assustando muitos investidores que esperavam uma nova alta após a criptomoeda permanecer acima da resistência de US$ 50 mil.

Porém para uma série de especialistas ouvidos pelo Cointelegraph Brasil a queda no preço do Bitcoin não deve assustar os investidores pois eles argumentam que o movimento é uma correção normal do mercado e base para uma nova alta.

Para o CEO da Brasil Bitcoin, Marco Castellari, o fato da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) declarar que está de olho nas operações da Coinbase pode ter contribuído para a queda, mas que é apenas uma questão de tempo para o preço do BTC voltar a ficar acima de US$ 50 mil.

“El Salvador se tornará um país mais atrativo para investidores estrangeiros e irá democratizar o acesso ao mercado financeiro, visto que, aproximadamente 70% dos salvadorenhos não possuem conta bancária. É apenas questão de tempo para que outras nações também comecem a aceitar Bitcoin como moeda de curso legal.

O processo da CVM contra a Coinbase, uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo e o mau funcionamento da Chivo, carteira oficial adotada por El Salvador para utilização do Bitcoin afetou as negociações e foram alguns dos motivos que fizeram a cotação despencar mais de 15% recentemente", disse.

Já Martha Reyes, chefe de pesquisa da corretora de ativos digitais e bolsa BEQUANT, aponta que o que ocorreu foi um caso clássico de comprar o boato e vender o fato, mas os fundamentos do Bitcoin continuam fortes e devem impulsionar a alta novamente.

“A liquidação ocorrida recentemente veio na esteira de uma farra do fim de semana do Dia do Trabalho que viu o BTC violar brevemente 52k e ETH perto de máximos históricos, os futuros se inclinando para longe.

A corrida havia sido originalmente estimulada pela popularidade dos NFTs e a preparação para a adoção do bitcoin como moeda legal em El Salvador. Foi um caso clássico de comprar o boato, vender o fato, mas os fundamentos da cadeia permanecem fortes. Vimos movimentos semelhantes antes de aumentos nos mercados em alta, como em novembro de 2020", disse.

Preço do Bitcoin

Para Joshua Scigala, cofundador do TheStandard.io, um projeto de infraestrutura DeFi, o grande vencedor desta queda foi El Salvador que comprou o mergulho e mostrou a força da criptomoeda

“El Salvador jogou bem. Eles compraram abertamente o mergulho, transformando a queda em algo positivo. Com outros países pequenos como Cuba e Panamá também procurando tornar o Bitcoin uma moeda oficial, os próximos meses e anos continuam parecendo ótimos para o bitcoin e a rede lighting que o apóia para transações rápidas e baratas. ”

Ulrik K.Lykke, Diretor Executivo da Crypto Hedge Fund ARK36, pontua que não foi por acaso que a queda no Bitcoin aconteceu no dia em que o BTC foi oficialmente oficializado como moeda de curso legal em El Salvador.

"Esta é uma reação típica de venda de notícias. Já vimos movimentos de preços semelhantes muitas vezes antes, onde os mercados superaqueciam na expectativa do evento, resultando em uma correção e uma liquidação quando o evento realmente aconteceu", disse.

Segundo ele, os investidores devem continuar a acompanhar de perto o desenvolvimento em torno do Bitcoin e de El Salvador e prestar atenção a qualquer notícia negativa relacionada à resistência regulatória de instituições financeiras internacionais.

"Uma queda adicional para os baixos níveis de $ 40K é cada vez mais possível antes que a próxima etapa de alta se materialize”, pontuou.

Para o brasileiro Tasso Lago, especialista em criptomoedas e fundador da Financial Move, a adoção do bitcoin como moeda oficial em países é uma decisão bem positiva para a economia.

"El Salvador tem uma economia fragilizada. Muitas vezes, a inflação de um país pode ser maior que a volatilidade de uma criptomoeda. Portanto, adotar uma criptomoeda é uma forma de se proteger. De acordo com dados da Chainalysis, o uso de criptomoedas aumentou 880% entre os anos de 2019 e 2020 no mundo. Esse crescimento é impulsionado principalmente nos países emergentes em que há pouca confiança em bancos e a moeda oficial do país é desvalorizada. Cuba, por exemplo, anunciou também recentemente que irá legalizar as criptomoedas para pagamentos e outras movimentações financeiras", afirmou.

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