O Bitcoin (BTC) encerrou a semana interrompendo uma tendência de alta que vinha se consolidando desde o final de julho, pelo o menos momentaneamente. A maior criptomoeda do mercado fechou o domingo cotada em aproximadamente R$ 243.000. A queda de 11% nos últimos 7 dias marcou a pior semana do BTC desde o colapso geral do mercado, em maio.

Analistas foram unânimes em apontar que um fechamento acima da média móvel de 200 dias (R$ 242.320) dias seria fundamental para a retomada da tendência de alta. E o preço de fato se sustentou acima desta faixa ao final do domingo, mas a volatilidade tomou conta do mercado na segunda-feira e o suporte foi quebrado, abrindo perspectivas contraditórias para o Bitcoin no curto prazo.

Ao longo da manhã, o Bitcoin oscilou 7,5%, registrando uma máxima local de R$ 247.249 e a mínima de R$ 230.000 na Binance, a maior exchange do mercado. No momento em que este texto está sendo escrito, está cotado a R$ 232.904, com uma variação negativa de aproximadamente 4,5% nas últimas 24 horas.

Gráfico diário BTC/BRL (Binance) com média móvel de 200 dias. Fonte: Trading View

A tendência de alta parecia consolidada, fazendo com que analistas mais otimistas já previssem um novo recorde histórico em torno de US$ 100.000 até o final do ano, mas foi interrompida abruptamente em 7 de setembro, dia em que a comunidade cripto comemorava a oficialização do Bitcoin como moeda oficial de El Salvador.

A maior criptomoeda do mercado despencou da faixa de R$ 274.000 para menos de R$ 227 mil em poucas horas por conta de liquidações generalizadas nos mercados de derivativos. Naquele dia, o Bitcoin acabou fechando em R$ 243.687, apenas um pouco acima do fechamento semanal. Ou seja, desde então o mercado entrara em uma nova fase de acumulação que agora pode estar sendo revertida para uma tendência de baixa.

Acumulação

Em seu boletim diário no Twitter, o trader e analista Augusto Backes destacou a Média Móvel Exponencial de 8 dias como referência para os movimentos do mercado no curto prazo. De acordo com ele, quando o preço está acima desta média a tendência é de alta, enquanto o rompimento abaixo deste nível aponta para tendências de baixa prolongadas.

No momento, segundo Backes, o preço do Bitcoin está colado à EMA de 8 dias e isso indica que estamos em um período de acumulação caracterizado por uma desaceleração do mercado, especialmente em função do esfriamento dos mercados futuros de Bitcoin, que geralmente são os responsáveis pelos grandes saltos de preço, sejam positivos ou negativos.

"O mercado tende a entrar em um período de lateralidade de 20 a 40 dias. Possivelmente vai demorar alguns dias para que possa haver uma retomada da alta do Bitcoin.

De acordo com o analista, o Bitcoin ainda poderá recuar até a faixa dos R$ 222.600 antes que haja uma retomada da tendência de alta.

Enquanto isso, Backes acredita que o período de acumulação do Bitcoin pode favorecer as altcoins, embora ele tenha destacado o aumento momentâneo da dominância do BTC. Recentemente o Bitcoin vinha perdendo espaço em função do crescimento expressivo de moedas como Solana, Polkadot, Cardano e Avalanche.  

Região em torno da média simples de 200 dias é crucial

Já o trader e analista Felipe Escudero ressaltou a importância de o Bitcoin conseguir manter-se numa faixa de preço entre R$ 228.000 e R$ 249.000, gravitando em torno da média móvel de 200 dias.

Escudero alertou que, uma vez perdido este suporte que está consolidado desde 7 de agosto, pode haver uma reversão de tendência.

"Enquanto a gente se mantiver dentro dessa zona de preço em torno da média de 200 [dias], está tranquilo. Agora, se o movimento de queda continuar aí o viés de alta pode estar mudando."

Durante o fim de semana, um analista pseudônimo divulgou um gráfico sugerindo similiaridades do momento atual com o que antecedeu o crash do mercado, em maio, logo depois de o Bitcoin ter atingido seu atual topo histórico em aproximadamente R$ 340.000.

Gráfico diário com comparação da estrutura atual do mercado em relação ao primeiro semestre deste ano. Fonte:  Trading View

Segundo ele, a ação de preço do Bitcoin tem replicado a estrutura que se configurou de janeiro a maio. Nela, a média móvel simples de 50 dias no gráfico diário (linha azul) tem apoiado uma linha de tendência de alta em um ângulo de 45° até o ponto G e os níveis de retração de Fibonacci têm fornecido suporte no movimento ascendente. 

A única diferença ressaltada na análise é que, agora, a perna H atingiu o nível 0,618 de retração de Fibonacci, enquanto em abril atingira apenas 0,5. Além disso, atualmente, o RSI (Índice de Força Relativa) está atualmente no mesmo nível de quando o fractal de abril estava no meio da sequência entre os pontos G e H.

Embora as estruturas sejam praticamente idênticas, há uma diferença agora que pode fazer toda a diferença a favor dos touros. Conforme destacado no gráfico, o Bitcoin está prestes a materializar uma "cruz de ouro". A formação se configura com o cruzamento da média móvel de 50 dias sobre a média móvel de 200 dias e costuma ser extremamente positiva para a ação de preço do BTC.

Agora, ela está na iminência de acontecer pela primeira vez desde maio de 2020, mês em que o Bitcoin fechou cotado a R$ 50.000 e pode ser considerado estágio inicial do ciclo de alta que teve seu ápice em abril deste ano.

Resta esperar para saber qual narrativa será vencedora dessa vez: se a dos touros ou a dos ursos.

LEIA MAIS