A fraqueza do Bitcoin (BTC) em sustentar seu preço acima de US$ 40 mil levou a principal criptomoeda do mercado a experimentar uma baixa de mais de 44% desde o seu maior valor histórico em US$ 69 mil e, jogando o valor do BTC para menos de US$ 35 mil.

O movimento de baixa no Bitcoin já havia sido previsto pelos analistas da Transfero, emissora da stablecoin BRZ, que em 20 de janeiro, um dia antes do crash do mercado, havia dito que o bitcoin seguia em tendência de baixa formando um triângulo descendente, explicado por uma Linha de Baixa (linha inclinada) e por uma Linha de Suporte (linha plana).

“O rompimento da Linha de Suporte, neste caso, acarretaria em uma grande força vendedora, podendo levar o preço para o próximo suporte, que seria o de US$ 37,5 mil”, avaliou a equipe na época, o que de fato aconteceu e levou o BTC para menos de US$ 35 mil neste sábado, 22.

Metaverso

Porém o movimento de queda no Bitcoin foi sentido ainda mais forte nas altcoins e, principalmente nas criptomoedas de metaverso que lideram a recente queda no mercado e tokens ligados ao ecossistema caíram mais de 20%.

Criptomoedas como o Axie Infinity (AXS), Decentraland (MANA), Gala, (GALA), The Sandbox (SAND) foram as que mais cairam dentro do TOP 100 do Coinmarketcap, todas registrando entre 20% e 24% de baixa nas últimas 24h.

Já nos últimos 30 dias, enquanto o BTC caiu 32%  a queda do metaverso é ainda maior, com GALA liderando pelo lado negativo com 66% de queda, seguido por AXS perdendo 53% de seu valor; SAND também com 53% de queda e MANA com 49% de baixa.

O analista Filip L., também já havia previsto que uma queda de mais de 20% ia assolar o metaverso quando destacou em 20 de janeiro que os touros haviam armado uma armadinha ao conseguir, dias antes, elevar o preço do criptoativos para US$ 73,62.

"A ação do preço do AXS caiu e está a caminho de atingir US$ 60,36 antes de possivelmente cair para US$ 50 onde um nível histórico e o S2 mensal nível de suporte será capaz de fazer o truque e atrair investidores para interromper esse declínio por enquanto", disse na época.

E agora mais queda?

Ainda segundo Filip L. nem o AXS e tampouco qualquer criptomoeda do metaverso irá conseguir iniciar qualquer movimento para o lado positivo enquanto o Bitcoin não sinalizar uma recuperação o que para Tammy Da Costa, analista da DailyFX, não deve ocorrer no curto prazo devido a fatores externos ao mercado cripto.

"Um aumento nas tensões geopolíticas e as perspectivas crescentes de novos aumentos nas taxas de juros pesaram sobre os preços do Bitcoin, que sofreram um declínio aproximado de 45% desde a alta de novembro. Os reguladores maiores ainda representam uma ameaça para um novo movimento de alta. Com as tensões aumentando entre a Rússia e a Ucrânia e outros países, um passo atrás da aversão ao risco poderia potencialmente ver o Bitcoin testar US$ 30.000", disse.

Anto Paroian, diretor de operações da ARK36, segue a mesma linha de Da Costa e destaca que os reguladores estão 'atrapalhando' o cenário para o Bitcoin neste inicio de ano, com destaque agora para a Rússia.

“O Banco da Rússia sugeriu a possibilidade de uma proibição abrangente de criptomoedas. É importante ressaltar que a proibição também proibirá qualquer atividade de mineração de criptomoedas. Como isso afetaria negativamente o hashrate do Bitcoin, alguns investidores podem estar se perguntando se a proibição, quando aplicada, poderia resultar em mais pressão de venda no preço desse ativo", aponta.

Já segundo a Passfolio a tendência também não é de alta no curto prazo já que a recente reprovação de mais um ETF de Bitcoin (de varejo) mostrou que a SEC não está disposta a rever sua posição.

Além disso, citando o CEO da Capriole, Charles Edwards, ela aponta que as piores quedas (em dezembro de 2018 e março de 2020) aconteceram devido às vendas de mineradores, quando o preço do BTC caiu abaixo dos custos de produção que atualmente está estimado em US$ 34 mil, muito perto do atual valor do BTC depois desta queda.

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