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Escrito por Caio JobimEx-redatorRevisado por Lucas CaramEx-editor

Com criptomoedas em baixa, quais foram os ETFs de melhor desempenho na B3 em 2025?

Últimas NotíciasPublicado9 de jan. de 2026

Com ativos digitais em queda acentuada, ETFs atrelados a ouro e prata lideraram o ranking de rentabilidade na bolsa brasileira em 2025.

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Resumo da notícia:

  • Em 2025, os ETFs atrelados a ouro e prata registraram valorizações superiores a 130% na B3, enquanto o mercado de criptomoedas enfrentou retração.
  • A aversão ao risco impactou o fluxo de capital, resultando em saídas líquidas de US$ 1 milhão em ETFs de criptomoedas na bolsa brasileira.
  • Apesar do desempenho negativo das criptomoedas, mercado de ETFs cresceu 50% no Brasil em 2025.

Os fundos de índice (ETFs) negociados na B3 encerraram 2025 com uma forte valorização de produtos atrelados a commodities como ouro e prata. Ao contrário de 2024, as criptomoedas estão ausentes na lista de melhor desempenho de ETFs da bolsa brasileira.

Em um cenário de turbulências geopolíticas e macroeconômicas, enquanto os principais produtos de ativos digitais da B3 acumularam perdas de até 60%, os ETFs de metais preciosos valorizaram até 130%.

Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, os quatro ETFs com melhor desempenho na bolsa brasileira em 2025 foram diretamente ligados à prata ou ao ouro. O maior destaque foi o Global X Silver Miners (BSIL39), que oferece exposição a mineradoras de prata e acumulou uma valorização de 131,35% no período, seguido pelo Abrdn Physical Silver Shares (SIVR39), com 130,63% de retorno.

Embora em patamares inferiores aos ETFs atrelados à prata, os produtos de investimento em ouro também registraram ganhos expressivos. O Abrdn Physical Gold Shares ETF (ABGD39) valorizou 48,29%, enquanto o iShares Gold Trust (BIAU39) obteve 47,67% de retorno, consolidando a força dos metais preciosos como reserva de valor.

A performance superior de ouro e prata é atribuída à busca por proteção por parte dos investidores. Anderson Kuntzler, especialista em investimentos, explica que o "cenário global marcado por instabilidade econômica e tensões geopolíticas" — incluindo conflitos na Europa e no Oriente Médio e incertezas sobre as tarifas comerciais nos EUA — motivou a busca por ativos de reserva de valor, fazendo com que as commodities se destacassem enquanto o apetite por risco diminuía.

Perdas de ETFs de criptomoedas chegam a 60%

Em contrapartida, os ETFs de criptomoedas apresentaram resultados negativos em 2025. Principal fundo negociado na bolsa brasileira, o HASH11 encerrou o ano com queda de 22,3%, enquanto fundos setoriais como o DEFI11 (finanças descentralizadas) desvalorizaram 60% e o WEB311 (plataformas de contratos inteligentes) caiu 46%.

As perdas também atingiram os fundos atrelados a ativos específicos. O BITH11, que oferece exposição direta ao Bitcoin (BTC), registrou uma desvalorização de 18,2% no acumulado do ano.

Na mesma trilha, os ETFs voltados para as principais redes de contratos inteligentes do mercado, ETHE11 (ETH) e SOLH11 (SOL), recuaram 21% e 39%, respectivamente.

Desempenho dos principais ETFs de criptomoedas da B3. Fonte: Hashdex

O desempenho dos ETFs de cripto teve reflexos nos fluxos de capital no mercado. No acumulado de 2025, o saldo ficou negativo em cerca de R$ 5,42 milhões.

Apesar do saldo negativo, os dois maiores ETFs da Hashdex ainda retêm volumes significativos: o HASH11 encerrou o ano com R$ 3,2 bilhões em ativos sob gestão, enquanto o BITH11 (atrelado ao Bitcoin) registrou R$ 1,6 bilhão. No total, os criptoativos somam R$ 8 bilhões ativos sob gestão.

Ativos sob gestão de ETFs crescem 50% no Brasil em 2025

Também nesse caso, cripto esteve na contramão do mercado. Os ETFs alcançaram uma captação líquida de R$ 13 bilhões em 2025, segundo reportagem do Valor Econômico. Esse crescimento foi sustentado quase integralmente pelos ETFs de renda fixa, que captaram R$ 10 bilhões, elevando o patrimônio total da categoria no país para patamares superiores a R$ 90 bilhões, o que representa uma alta de mais de 50% em relação ao ano anterior.

Mesmo com esse avanço, a participação de mercado dos ETFs ainda é considerada marginal, representando apenas 0,8% do total da indústria de fundos no Brasil. Cristiano Castro, diretor da BlackRock, explica que o produto enfrenta uma forte concorrência local de títulos públicos e ativos isentos de imposto sobre ganho de capital, como debêntures, LCIs e LCAs.

Segundo o executivo, boa parte dos investidores brasileiros prefere abrir mão da diversificação oferecida pelos ETFs, em benefício da isenção fiscal e da previsibilidade desses instrumentos.

Os prejuízos dos ETFs de criptomoedas não impediram que a B3 expandisse sua oferta de produtos relacionados ao setor. Em 2025, a bolsa brasileira passou a oferecer a negociação de futuros de Ethereum e Solana, além dos futuros de Bitcoin, lançados em 2024.

Conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil, os planos da B3 para 2026 incluem o uso de blockchain para modernizar sua infraestrutura de negociação e o lançamento de uma stablecoin atrelada ao real. Apesar do mercado de baixa, a adoção institucional segue em expansão no Brasil.

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