O Banco Central informou nesta quinta-feira (28) que João Pinho de Mello deixará a diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução no fim deste ano de 2021, quando termina o mandato dele. A informação é do G1, que lembra que João poderia ser indicado para recondução ao cargo, mas a instituição preferiu substituí-lo.

João Pinho de Mello foi um dos responsáveis pela implementação do PIX, o sistema de pagamentos criado pelo Banco Central que permite transferências de recursos em tempo real, 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem a cobrança de tarifas.

O substituto indicado pelo Banco Central para o próximo mandato de 4 anos, Renato Dias de Brito Gomes, é professor da Escola de Economia de Toulouse, bacharel e mestre pelo Departamento de Economia da PUC-Rio e PhD em economia pela Northwestern University.

A instituição informou:

"Em nome do Banco Central, o presidente Roberto Campos Neto felicita o indicado Gomes e agradece ao diretor Pinho de Mello pelos relevantes serviços prestados ao Banco Central e à Diretoria Colegiada."

Para a indicação de Renato ser concretizada, ele terá de ser sabatinado e aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, além ser aprovado, também, pelo plenário do Senado.

O anúncio feito pelo Banco Central ocorre um dia depois do aumento da taxa básica de juros da economia, conhecida como Taxa Selic, que subiu de 6,25% para 7,75% ao ano, maior aumento desde dezembro de 2002.

BC e as criptomoedas

O Banco Central do Brasil, vem declarando que os brasileiros estão cada vez mais negociando criptomoedas e afirmou recentemente que a 'importação' de Bitcoin (BTC) e criptomoedas deve prejudicar ainda mais a balança comercial brasileira que, segundo a instituição, deve ter um déficit de US$ 21 bilhões.

Desde agosto de 2019, o BC passou a incluir a negociação das criptomoedas por brasileiros nas estatísticas sobre a balança comercial do país, atendendo a recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O FMI recomendou ao Brasil e demais países classificar a compra e venda de criptoativos (especificamente aqueles para os quais não há emissor) como ativos não-financeiros produzidos, o que implica sua compilação na conta de bens do balanço de pagamentos.

Porém não é só a negociação de criptomoeda que entra no balanço comercial nacional, a atividade de mineração também é considerada "um processo produtivo", seguindo recomendações do texto “Treatment of Crypto Assets in Macroeconomic Statistics” e, portanto, integra a balança comercial.

Desta forma, segundo o BC, as compras crescentes de criptomoedas têm afetado as projeções de importações e, de acordo com o diretor de Política Econômica do BC, Fabio Kanczuk, a compra de criptoativos chegou a US$ 4 bilhões nas importações até agosto.

Segundo o presidente do BC, Roberto Campos Neto, o uso das criptomoedas no Brasil cresceu muito como veículo de investimento.

“Mas lembrando que uma moeda tem uma função de meio de pagamento. Quando a gente olha o que tem acontecido com a criptomoeda em termos de meio de pagamento tem crescido bem menos, bem pouco. Então o crescimento é basicamente atrelado a esse desejo de ter moeda como um investimento”, disse

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