O criptomercado tem evoluído em grande velocidade desde seu surgimento em 2008 e não demonstrou, desde então, que perderá força, mesmo estando em baixa desde março neste ano.

Esse crescimento tem se mostrado ainda mais flagrante então no ecossistema de blockchain, que tem atraído fortunas em investimentos ao redor do mundo. 

No entanto, o hype das ICO (oferta de moeda inicial) permitiu que fundadores de startups com um white paper em mãos pudessem levantar fundos sem muito esforço, com investidores loucos para encontrar o próximo flip. Contudo, o mercado de ICO é composto por quase 100% de projetos inúteis que em sua maioria, virararam pó em algum momento. 

Há muitos que fazem uma correlação com os anos 2000 e seu frenesi em torno das ‘ponto com’ e o estouro de sua bolha em seguida. Eu fui um dos que sofreram com a bolha em 2000. Realmente enxergo um paralelo entre o atual hype em torno de blockchain e ICO, e sempre achei que essa história não terminaria muito bem. Pois se havia algum risco de bolha, certamente ela não estaria no Bitcoin e sim no mercado de ICO.

Mais de 90% dos projetos lançados por milhares de ICO ao redor do mundo são apenas vaporware, de acordo com dados coletados pela Coinopsy. Não havia um produto mínimo desenvolvido (MVP) e seu lançamento estava sempre para o futuro, em média 2 anos de desenvolvimento, até o lançamento.

O que acontecerá quando os investidores perceberem que o produto que eles esperaram por tanto tempo não foi desenvolvido, e a maioria das notícias eram falsas (às vezes até mesmo o whitepaper)?

Só é preciso um mercado de baixa, um panic sell e as mãos de alface em ação para detonar uma bomba que levaria todos esses valores para zero: foi exatamente o que aconteceu nos últimos dois anos.

A maioria das altcoins se depreciou para sempre, e somente as mais fortes sobreviveram, as que tiveram altos indicadores fundamentais - obviamente uma minoria. Dos ICO que deram resultado e tokens que trouxeram retorno aos investidores, destaca-se o EOS, que arrecadou US$ 4 bilhões.

Imagem: Cryptowatch

O gráfico mostra o crescimento exponencial das ICO até março de 2018. A partir de fevereiro, houve uma queda expressiva depois do banimento dos anúncios sobre ICO no Facebook, e depois seguido por Google, Twitter, Mailchimp e outros. 

Em março de 2018, vimos, pela primeira vez desde dezembro, um crescimento no número de ICOs sendo conduzidas. O número de Ofertas Iniciais de Moedas cresceu 28% para 168 ICOs. Isso inclui apenas vendas de tokens concluídas, excluindo vendas canceladas ou mal sucedidas. Como muitos investidores de ICO provavelmente já experimentaram, o crescente número de projetos torna mais difícil identificar projetos duvidosos.

Uma pesquisa adequada e uma estratégia de investimento se tornaram cada vez mais importantes para evitar a perda de fundos devido a projetos super avaliados, superestimados ou fraudulentos.

Imagem: Cryptowatch

Percebe-se que a partir de dezembro, com a queda dos valores dos tokens, as arrecadações de fundos caíram na mesma intensidade, voltando para patamares vistos em junho de 2017. Porém, o nível de arrecadação continua muito alto.

Como visto acima, no início de janeiro até o final de fevereiro houve uma diminuição no número de ICOs sendo lançadas. No entanto, esses projetos mostraram um aumento na média dos recursos captados até o momento. Essencialmente, isso indica que poucos ICOs captaram a atenção dos investidores e fecharam tamanhos maiores de negócios, enquanto o número de ICOs menores diminuíram por sua vez.

Imagem: Cryptowatch

Em março, vimos mais ICOs que, em média, tiveram um aumento tímido. O montante total de recursos captados em março também diminuiu significativamente. A explicação mais provável foi devido às condições adversas do mercado (sentimento de baixa do mercado), já que o mercado da ICO estava fortemente correlacionado com o mercado global de criptomoedas, representado pelo preço do Bitcoin no gráfico abaixo.

Imagem: Cryptowatch

Retorno sobre o investimento

Vejamos como era lucrativo investir em ICOs e como isso mudou em 15 meses até o boom dos ICO desaparecer em 2018.

Imagem: Cryptowatch

Após o boom o que sobrou do mercado de ICO foram 1.646 projetos e tokens mortos, de acordo com dados da Coinopsy que criou um banco de dados atualizado sobre os ICO lançados e quais quebraram por falta de fundos, atividades e/ou esquemas fraudulentos.

Projetos grandes, que promoveram campanhas imensas como do projeto ALAX (ALX), estão nesse cemitério de tokens mortos. No caso do projeto ALAX, o token morreu por falta de liquidez e foi encerrado em 2019, o ICO da ALAX levantou em março de 2018 US$ 3.8 milhões. O projeto ALAX se propunha a ser uma plataforma blockchain para jogos mobile.

Outro projeto fracassado foi do OriginalMy, um projeto nacional que teve a campanha mal sucedida, de acordo com a Coinopsy foi encerrado em 2017.

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