Em uma semana fria para o mercado DeFi todas as atenções se voltaram para uma revelação inesperada que colocou em dúvida um dos projetos de finanças descentralizadas mais festejados do ano passado: o Wonderland (TIME). 

Uma série de postagens no Twitter publicadas na quinta-feira revelaram que o cofundador da exchange de criptomoedas canadense QuadrigaCX, Michael Patryn, era o responsável pela tesouraria do Wonderland.

A QuadrigaCX esteve no centro das atenções depois da morte prematura de Gerald Cotten, sócio de Patryn na exchange. Em seguida, surgiram alegações de que mais de US$ 145 milhões em fundos de clientes haviam sido perdidos, pois somente o finado teria as chaves privadas das carteiras frias onde os ativos estavam depositados. Além disso, Patryn foi condenado por operar um esquema de fraude de cartão de crédito utilizando um nome falso em 2002.

Ainda é preciso aguardar os próximos desdobramentos, mas uma proposta para decidir pelo encerramento ou manutenção do protocolo foi posta em votação recentemente. Após a divulgação dos resultados mostrar que a comunidade está dividida acerca do futuro do protocolo, o fundador do Wonderland, Daniele Sestagalli, mostrou disposição para desistir do projeto.

A novela DeFi do Wonderland teve efeito negativo sobre outros tokens, como o Terra (LUNA), já que a stablecoin Magic Internet Money (MIM) do Wonderland é usada em operações de yield farming da stablecoin TerraUSD (UST).

O preço do LUNA caiu 17% nos últimos sete dias. Enquanto isso, o TIME corrigiu mais de 50% no mesmo período e agora está 97% abaixo de sua máxima histórica de US$ 14.185, registrada há menos de três meses atrás em 7 de novembro.

Em oposição, Solana (SOL) e Ethereum (ETH) são os principais ganhadores entre os principais tokens de plataformas de contratos inteligentes, com valorizações de 18% e 14% nos últimos sete dias, respectivamente.

Por sua vez, o Valor Total Bloqueado (TVL) em protocolos DeFi manteve-se estável depois da redução de 25% de 21 para 22 de janeiro, quando caiu de US$ 284,7 para 228,5. Atualmente, o TVL é de US$ 249,2 bilhões, de acordo com informações da plataforma de monitoramento de dados DeFi Llama.

Os últimos sete dias testemunharam uma queda severa nos TVLs da Terra (16,2%) e da Fantom (21,7%), em grande parte por conta do efeito Wonderland, enquanto Solana e Ethereum registraram o maior crescimento - 8,4% e 14,2%, respectivamente.

Os três tokens de melhor desempenho semanal são todos baseados no Ethereum: Telos (TLOS), NFTX e SUKU.

Telos (TLOS)

A Telos (TLOS) é uma blockchain rápida, escalável, ecologicamente eficiente, capaz de processar 10.000 transações por segundo a custos mínimos, e compatível com o Ethereum Virtual Machine (EVM). Portanto, é apta a rodar aplicativos descentralizados criados para a rede Ethereum.

Além disso, a blockchain da Telos oferece serviços on-chain para armazenamento de dados de forma descentralizada, sistemas de votação e localização. Hoje há mais de 100 aplicativos descentralizados disponíveis na rede da Telos, que incluem contratos inteligentes implementados para utilização de instrumentos DeFi, games, NFTs e mídias sociais.

Recentemente, a primeira exchange descentralizada (DEX) do protocolo, a OmniDex entrou em operação, atraindo liquidez para o ecossistema, e nesta semana os desenvolvedores da rede estão promovendo um hackaton com foco em produtos compatíveis com o EVM.

O mês de janeiro também foi marcado por novas parcerias e a eleição de um novo conselho de governança que prevê uma participação mais ativa da comunidade de detentores do TLOS.

Com isso, o token nativo do protocolo subiu 99% nos últimos sete dias, saltando de US$ 0,56 para US$ 1,11, de acordo com dados do CoinMarketCap. Sua capitalização de mercado é de US$ 300 milhões, o que coloca o TLOS na 232ª posição no ranking de criptomoedas.

Desempenho semanal do TLOS. Fonte: CoinMarketCap

NFTX

O NFTX é uma plataforma para criação de tokens no formato ERC-20, padrão da rede Ethereum, lastreados em tokens não fungíveis (NFTs), proporcionando liquidez a uma classe de ativos de liquidez limitada. Pois embora esses tokens representem fundos de índice, eles são fungíveis e podem ser compostos, o que significa que são intercambiáveis por outros tokens, diferentemente dos NFTs, ativos únicos e exclusivos por natureza.

Além da tokenização de NFTs colecionáveis, a plataforma também permite a indexação de bilhetes de loteria digitais, ativos de jogos play-to-earn, e outros colecionáveis digitais. Assim, a NFTX introduz os NFTs ao ambiente DeFi de forma ampla e abrangente. 

A geração de receitas da plataforma é garantida pela cobrança de uma taxa de 2,5% sobre as operações de queima e emissão dos tokens de índice de NFTs. A NFTX também oferece o serviço de empréstimos sob a forma de NFTs-ERC-20 e provisão de liquidez on-chain.

Para obter os empréstimos, os detentores de NFTs não precisam vendê-los, enquanto que ao prover liquidez on-chain a natureza ilíquida dos NFTs é minimizada em benefício dos proprietários e do ecossistema como um todo.

Em 20 de janeiro a plataforma implementou um sistema de staking de NFTs para que usários possam obter rendimentos a partir de seus colecionáveis.

Chamado de "Inventory Staking", o novo recurso permite que qualquer um adicione seus NFTs em um cofre para receber parte das taxas distribuídas a partir do preço base do NFT depositado. O recurso torna possível que usuários gerem renda passiva sobre seus NFTs, cuja valorização ou depreciação, de outra forma, estaria submetida exclusivamente às flutuações de preço de mercado dos colecionáveis.

Nos últimos sete dias o NFTX subiu aproximadamente 81%. Em 25 de janeiro, o token estava cotado a US$ 76,62. No momento em que este texto está sendo escrito, vale US$ 140,26 e possui uma capitalização de mercado de US$ 57,1 milhões. O NFTX ocupa a 512ª posição no ranking de criptomoedas, de acordo com dados do CoinMarketCap.

Desempenho semanal do NFTX. Fonte: CoinMarketCap

SUKU

O SUKU se apresenta como o provedor de soluções de infraestrutra para que empreendedores e empresas possam explorar as potencialidades do metaverso. Trata-se um ecossistema completo de soluções Web3 para capacitar marcas e criadores a promoverem ações e atividades de engajamento com seus públicos de maneiras totalmente novas, conectando o mundo físico à realidade virtual em uma plataforma intitulada Infinte World.

Entre as funcionalidades oferecidas pela plataforma há um marketplace de NFTs, instrumentos de finanças descentralizadas que as empresas podem proporcionar aos seus clientes e uma cadeia de suprimentos transparente e totalmente rastreável para conquistar a confiança dos consumidores. No ano passado, o SUKU foi incluído na lista de Top 100 Blockchain Startups da Forbes. 

Nos últimos sete dias o SUKU valorizou-se em 50%, subindo de U$ 0,37 para U$ 0,55. Sua capitalização de mercado soma U$ 67 milhões e o token ocupa a 457ª posição no ranking de criptomoedas, de acordo com dados do CoinMarketCap.

Desempenho semanal do SUKU. Fonte: CoinMarketCap

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